segunda-feira, 31 de outubro de 2011

OPINIÃO - "CENSURA COM APELIDO CARINHOSO"

(TEXTO ESCRITO EM 2008)

Queria entender uma coisa... A nova queridinha do cenário musical, Mallu Magalhães, tinha 15 anos quando anunciaram o show dela no Mistura Fina, aqui no Rio de Janeiro. O evento foi classificado como 18 anos...


Por que isso? Ela tem 15!!! Não deveria nem estar trabalhando, que dirá numa casa noturna, não é?

Profissão: Dono da verdade! É, censura já teve outros nomes, mas classificação etária é só uma atualização, um apelido carinhoso (pra não assustar a população e evitar maiores protestos). No fim, donos da verdade são o que são!

Mas o que é preciso para ser um censor... Ops, quero dizer um “classificador etário”? Bom senso já sabemos que não é. Pode não ser uma tarefa nobre, mas certamente é uma forma fácil de ganhar algum dinheiro.

Será que eu seria poderia ser um classificador etário? Vejamos:

Beijo no rosto - censura livre, beijo na boca - censura 12 anos, mão do rapaz no peito da mocinha (por cima da blusa) – censura 14 anos (sem blusa – 16 anos) e se aparecer o peito (sem a mão do rapaz) censura 18 anos! Não sei bem o critério, mas é algo parecido com isso.

Como todos devem saber as mamas da mulher são coisas vulgares, sem utilidade nenhuma! Uma prova que Darwin estava errado. O peito da mulher é algo que o diabo inventou para perverter a mente dos pobres e ingênuos adolescentes (ou mesmo crianças). Só adultos acima dos 18 podem ver peitos, porque... Bom, não sei por que, mas eu não sou um “classificador etário” (e nem poderia ser).

Se repararmos na época do carnaval, quando aparecem vários peitos de fora, poderemos observar como aumentam o número de adolescentes com as mãos cabeludas e de crianças sofrendo de choque traumático! Coitadinhos!

Qualquer dia vão fazer como já fazem com aquelas “revistinhas” na banca de jornal e as mulheres terão que usar tarjas pretas no decote. Talvez usar algo como aqueles avisos de cigarro, tipo: Mamas fazem mal a saúde.

Mas voltando ao show da Mallu... Já que não tinha idade pra ir ao próprio show, será que ela se apresentou ao vivo, ou só tocaram um cd com as músicas dela? E a platéia, que faixa etária formava a platéia de Mallu, já que muitos de seus fãs, provavelmente a maioria, também não tem 18 anos?

Algo me diz que se dependesse dessa classificação etária o show sequer aconteceria, e outra coisa me diz que ninguém levou a sério essa censura idiota.

Censura nunca mai... 




MEMÓRIA - “O FOTÓGRAFO ACIDENTAL”


Adoro fotografia, sempre gostei, mas demorei muito até ter uma boa câmera, uma de verdade, (semi) profissional e até meus 25 anos só tive uma daquelas velhas “tira-teima”, que só produzia fotos escuras e borradas.

Houve uma época, antes de eu sonhar em ser fotógrafo, que resolvi fazer uma viagem ao sul do Brasil, ao sul do Rio Grande do Sul, num balneário chamado Cassino para ser bem exato. Eu teria ido de avião, mas era muito caro para mim, então fui de ônibus mesmo.

O fato é que na época, acho que na virada de 1991 para 92, sobrevivi àquela viagem e acabei ficando por lá uns três meses. Não porque me apaixonei pelo lugar ou por alguém de lá, mas porque percebi que se voltasse teria que passar mais 36hs dentro de um ônibus... Deu-me certo pânico, então fiquei por ali mesmo.

Eu precisava ganhar uns trocados para poder sobreviver aquele período que passei na região, então arrumei uns trabalhos informais. Ficava durante o dia numa famosa loja de doces do local, chamada Janjão, e num bar a noite. No bar eu fazia bonecos com massa epóxi para o dono do estabelecimento distribuir como suvenir e recebia o pagamento em sanduíches.

Logicamente que, envolvido em tantas atividades e sempre em contato com clientes desses lugares onde fiz biscates, acabei conhecendo muitas pessoas. Entre elas uma estudante universitária, que logo ficou minha amiga a ponto de me oferecer a sua câmera fotográfica emprestada.

Devolvi a câmera dois dias depois e logo comecei a perceber que havia viciado nessa coisa de fazer fotos. Sinais da dependência física já surgiam e eu suava muito (ou seria só calor mesmo?). Como um bom dependente e consumidor que sou, não pensei duas vezes, peguei o dinheiro que recebi na loja de doces (já que não podia usar sanduíches) e comprei uma máquina fotográfica! A máquina era dessas de turistas mesmo (mas melhor que a “tira-teima”, o que não é difícil), só para registrar minha passagem por aquela região, já que dificilmente voltaria ali se dependesse de ônibus!

Com um filme em preto e branco fiz uma marcante foto de uma amiga na praia, fazendo cafuné num vira-lata, com os cabelos ao vento e enquadramento diagonal. Linda a foto! Tudo por acidente, incluindo o charme da diagonal, fruto de um rápido desequilíbrio que quase me levou ao chão. Já com um filme colorido fiz minha primeira experiência ousada ao colocar um óculos escuros na frente da lente pra poder fotografar um casal com o sol ao fundo sem queimar o filme.

Não é que deu certo?

... E na época nem tinha photoshop. Foi sorte legítima!

FICÇÃO - "ZERO ZERO"


UM CASAL DE AMIGOS SE ENCONTRA JUNTO AO BALCÃO DE UM BAR, A NOITE, ONDE CONVERSAM. ELA JÁ MEIO “ALTA”.

 ELE – Desculpe o atraso! Uma coca com gelo por favor (PRO BARMAN)! Me esperou muito?

ELA – Dois copos... Três se contar com esse.

ELE – Isso é um sim?

ELA – Não.

ELE – Ah, bom... Então?

ELA – Então?

ELE – Pois é, eu estava precisando falar contigo.

ELA – Vai falando... (APONTA PRO COPO ENQUANTO CHAMA O BARMAN) Vê mais um!

ELE – ... Pois é, como sabe, estou passando por uma fase difícil.

ELA (INTERROMPENDO E SEMPRE SORRINDO)– Quem não está, né?

ELE – Também está passando por uma fase difícil? Desculpe, se eu soubesse...

ELA – ...Sim?

ELE – Sim o que?

ELA – Se “eu” soubesse...

ELE – Ah, eu... Eu marcaria com você pra gente conversar.

ELA – E aqui estamos! O que você ia falar mesmo?

ELE – É que... Eu tô carente... Me abraça?

ELA – Te abraçar?

ELE – É...

(OS DOIS SE ABRAÇAM)

ELA – Pronto... Quer mais um?

ELE – Quero!

(OUTRO ABRAÇO – ELE INTERROMPE)

... Pronto, chega. Não é bom exagerar ou acabo chorando.

ELA – Você está bem?

ELE – Não!

ELA – Quer falar sobre o que está sentindo?

ELE – Não estou em condições no momento.

ELA – Amanhã, então?

ELE – Muito tempo... Não sobrevivo até lá...

ELA – Bom, então...

ELE - ... É o seguinte: Gostaria de pedir você em namoro, mas preciso de sua amizade... E como você não ficaria comigo mesmo... Ou ficaria?

ELA – Acho melhor deixarmos essa conversa pra depois... Não estou em condições no momento...

ELE – Por isso mesmo, que tem que ser agora! Se você estivesse sóbria eu não teria coragem de confessar o que sinto!

ELA – ... Não era pra ser ao contrário?

ELE – É... Mas como eu não bebo.

ELA – Ahh... Então vou confessar uma coisa também... Eu não bebo Coca.

ELE – Como?

ELA – Eu ... não ... bebo ... Coca!

ELE – Do que esta falando?

ELA – Da minha promessa, uai!

ELE – Você prometeu não beber mais Coca? Que tipo de promessa é essa?

ELA – Do tipo que se faz quando se tem 12 anos.

ELE – Ah, tá... Bebe Pepsi, então...

ELA – Não dá, não gosto de refrigerantes de cola.

ELE – E faz promessa de não beber mais Coca?! Que conveniente, né? Se fosse ao contrário, entenderia.

ELA – Vamos dançar?

ELE – Dançar?!

ELA – É!

ELE - Se tocasse música... Mas isso aí...

ELA – Ahh... Vai... Não seja chato! Eu também não gosto, mas vai ser bom.

ELE – Percebe a incoerência do que disse?

ELA – Não... Estou bêbada...

ELE – Não seja redundante.

ELA – Tá... Vou dançar...

ELE – Ã... Eu espero... Ai meu Deus, que noite!... Ué, já de volta!

ELA -  A pista ta mexendo muito. Fiquei tonta.

ELE – Senta aqui... Vou pedir uma água...

ELA – Não!

ELE – Não quer água?

ELA – Não quero sentar.

ELE – Olha, já percebi que não está bem. Por que não me conta o que aconteceu? Por que está assim?

ELA – Quando eu confiar em você 100%, eu conto.

ELE – Como é que é?!

ELA - Quando eu confiar em você 100%, eu conto.

ELE – E posso saber quantos por cento confia em mim agora?

ELA – Ahh... Agora uns 50%... Talvez 60...

ELE – E o que fiz pra você ter toda essa confiança em mim?

ELA – Sei lá... (INDIGNADA)Você Pediu Coca-cola?

ELE – Sim, ué... Mas pedi pra mim, não pra você... Mas por que estou discutindo isso?

ELA – Por que... Está bêbado?

ELE – Não, você está bêbada, eu sou confuso naturalmente.

ELA – Eu posso estar um pouquinho alta, mas não esqueci que prometeu escrever uma peça pra mim... Pra eu ser a protagonista!

ELE – ... Levou aquilo a sério?

ELA – Como? Não era sério? Não vou ser protagonista? Você me acha canastrona?

ELE – Não eu acho você ótima!

ELA – Quer me levar pra cama, né? Pra fazer o teste do sofá!

ELE – Olha...

ELA – Sabia... Você sabia que coleciono sapos?!

ELE – Ah, tá... Entendi. Seu personagem coleciona sapos, né?

ELA – Não! Eu coleciono! (improviso livre)Tenho sapo de pelúcia, de pano, de acrílico, de porcelana, ... As pessoas trazem, sabe como é, né? Sapos verdes... Eu amo verde! Qual sua cor preferida?

ELE – Olha só... Vou ser bem direto! Fica comigo esta noite?

ELA – Tá, eu fico, mas só porque você é gay.

ELE – O que?! Mas não sou gay!

ELA – NÃO?!

ELE - NÃO!

ELA – Ahh... Então,não... Sai.

ELE – Tá... Então sou gay!

ELA – Sério? Vai chutar o balde, assim, só pra me levar pra cama? Se queria assumir era só dizer.

ELE – Desisto... Vem, vamos embora.

ELA – Já?

ELE – Está tarde... Vem, vou te levar pra casa.

ELA – Hummm... Pra casa? E o que você vai fazer? Hein?

ELE – Chorar, ué! O que mais me resta?

ELA – Mas chorar por que?

ELE – Por que? Sei lá... Hábito, eu acho...

ELA – Ah... Fica assim não. Vamos fazer o seguinte, fica lá em casa hoje. Quer?

ELE – CLARO! Vamos lá!

ELA – É aqui... Entra, fica a vontade (ELA DEITA NA CAMA)... Tira a roupa se quiser.

ELE – Mas já? Nem um cafezinho?

ELA – Não tem café.

ELE – Então vou apagar a luz...Posso?

ELA – Deve!

ELE (DEITANDO)- Não vai me dar um beijo?

ELA – Claro (BEIJO NO ROSTO)! Boa noite!

FIM

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

OPINIÃO - "DARWIN E A REGRESSÃO DA ESPÉCIE"

Ok, calma! Até houve a tal evolução das espécies e tal... Contudo uma, especificamente, parece ser uma contradição e evolui na mesma proporção em que regride... O Homem!

O ser humano é a única das espécies que conseguiu o milagre de ser inteligente e estúpido ao mesmo tempo!

Darwin não tem culpa disso, claro, só não observou atentamente sua própria espécie, exatamente por ser inteligente e estúpido ao mesmo tempo.

Mas se a culpa não é dele, de quem seria? Bom, melhor não mexer nisso...

Vamos voltar a nova “teoria da contradição”. Podíamos refletir aqui sobre o aquecimento global (que mesmo depois de nós tomarmos conhecimento disso, continuamos agindo como estúpidos e piorando cada dia mais a nossa situação nesta poeirinha cósmica que chamamos de Terra), mas acho que usar uma situação mais simples e que não exija demais de nossa metade estúpida, facilita.

Todo supermercado, como sabemos, tem aquela fileira de caixas (onde a maioria nunca está “funcionando”). Até onde sei, o espaço entre uma caixa e outra é calculado exatamente para a passagem do carrinho de compras, então fica fácil concluir que é pra passarmos com ele por ali, certo?

Lembro até que tinha um aviso de “passe com seu carrinho” em cada uma das caixas, o que comprova a tese.

Claro que ninguém passa com seus carrinhos de compras por ali. Simplesmente largam para trás.

Conclusão:
Um monte de carrinhos atravancando quem quer passar, atrasando as filas ainda mais e uma série de outros transtornos.

O supermercado percebendo que as pessoas não estão atendendo ao aviso de “passe com seu carrinho”, o que fazem?

Tiram o aviso, lógico! Não poderia ser diferente.

As moças que atendem nas caixas também não falam nada sobre isso com os clientes (tudo bem, talvez elas não tenham evoluído o suficiente para falar) e fica aquela coleção de carrinhos infernizando os que conseguiram evoluir pra frente.

Por isso acho que há uma falha na teoria de Darwin... Mas pode ser só falta de educação mesmo.

E assim caminha a humanidade... Para trás!

MEMÓRIA - "VOLTO QUANDO CONSEGUIR TRABALHO"


Era 1990 e eu já havia terminado a escola a alguns meses, no ano anterior. Ainda não tinha decidido por alguma faculdade e fazia diversos cursos. Vários, sem parar... E isso porque foi fazendo esses cursos que tive a oportunidade de conhecer minhas primeiras namoradas. As três primeiras, para ser mais exato, e a quarta, que era amiga de minha segunda namorada, mas não era do curso.

No entanto não é delas que falarei aqui hoje, então vamos adiante!

Certo dia, depois de uma briga com minha mãe e ofendido em minha competência, resolvi que sairia de casa para provar do que era capaz. Arrumei minhas coisas no silêncio da noite e me retirei enquanto ela dormia, deixando um bilhete que dizia simples e categoricamente: “Volto quando conseguir trabalho!”. E fui...

Por sorte não prometi dinheiro, mas isso é outra história.

Escolhi um ótimo dia para fugir atrás de trabalho... Noite de sexta, um temporal afogando o Rio de Janeiro e uma greve de ônibus. Perfeito!

Saí do Bairro do Jardim Botânico, onde morava na época e fui andando até Botafogo, de onde ligaria para alguém, atrás de guarida. Sabia que não podia ir para dois lugares, os primeiros que minha mãe procuraria, certamente, que eram a casa da minha namorada e a de um amigo meu na época, o “KVRA”. Lembrei de outro amigo, que namorava uma menina da Tijuca e passava os fins de semana por lá. Não tive dúvidas, peguei o metrô e segui rumo a zona norte.

Além de malandro que foge numa sexta feira de dilúvio e greve, atrás de trabalho, também sou sortudo! Vejam só que sorte a minha: Meu amigo e sua namorada resolvem brigar e tivemos que sair da casa dela. Voltamos a pé da zona norte a zona sul da cidade, com uma pequena, mas bem vinda carona para atravessar o túnel que diminuiria nossa jornada. (Estou tentando resumir a história, mas parece que não estou conseguindo) Bom, acabei tendo de ir pra casa de minha namorada, mas ela me acordou no dia seguinte pra sair de lá rápido, que seus pais logo chegariam de viagem. Corri pra casa do “KVRA”, mas no dia seguinte o pai dele pediu pra deixarmos o apartamento, porque ele havia vendido e tinha que entrega-lo, enfim...

Já sem ter onde ficar, sem roupas limpas pra trocar e ainda sem trabalho, depois de rodar a cidade a pé, resolvi, finalmente, ir ao estúdio do cartunista Ziraldo (na época em Laranjeiras). Cheguei lá todo sujo e suado, com meu mochilão nas costas e a secretária do estúdio me olhando de cima a baixo numa cena constrangedora (pra mim, é claro). Antes que ela chamasse a polícia, eu pedi para que chamasse o Ziraldo. “-Quem quer falar com ele?” perguntou ela com certa antipatia. “-Diz que é o Victor Klier!” Falei como se meu nome fosse o de alguém importante. Então ela disse rindo: “Ahh, o menino que fugiu de casa!”.

Humilhante!

Ziraldo me recebeu com umas folhas de papel na mão e me dizendo assim: “Fugir de casa é um barato, mas tem que tomar cuidado, senão mata sua mãe!” Aí me deu as folhas de papel, apontou uma mesa, pediu pra escrever uma história em quadrinhos e saiu.

Consegui trabalho!!!

...Ainda bem que não prometi dinheiro.

FICÇÃO - "VIZINHAS"


(VIZINHAS SE ENCONTRAM NA FILA DO SUPERMERCADO)

A – Oi vizinha! Carrinho cheio, hein? Compra do mês?
B – Que nada, da semana!
A – Semana comprida a sua, né? O dobro de compras da minha, para metade do número de pessoas na família.
B – Pois é, menina... Mas o povo lá de casa gasta muita energia!
A – Ahh, isso é mesmo... A conta de luz de vocês é um absurdo de alta!
B – Ué...Como sabe?
A – Entregaram a conta de vocês lá em casa por engano... Aqui, ó!
B – Engano, né? Mas ok, obrigado por guardar...
A – Também chegou essa carta do seu namorado... Infelizmente só vi que não era para mim depois que abri... Mas coloquei tudo de volta no envelope, exatamente como estava... Inclusive aquela foto de vocês no motel... Bem dotado ele, né?
B – É...  Bastante satisfatório, mas não é tão bem dotado quanto sua língua, querida.
A – Gentileza sua, mas cá entre nós, sexo oral é mesmo meu forte.
B – Tenho certeza que sim, mas parece que isso não está ajudando a encher seu carrinho.
A – Ahh, mas no meu caso sexo é só por prazer... Não cobro, não... Senão estaria com dois carrinhos de compras como este seu.
B – Pois é querida... Não é para quem quer, é para quem pode.
A – É verdade... Um dia se está por cima, outro dia se está por baixo...
B – Ainda está falando de sexo?
A – Na verdade não... Mas já que falou vejo pelas compras que está preparando uma comemoração...
B – É... Aniversário de namoro... E pelas suas compras a faxina vai ser boa. Empregada nova?
A – Não... A minha sujeira eu mesma limpo.
B – E a comida? Sempre esses congelados aí?
A – Os congelados são só para emergência.
B – E toda semana tem ao menos uma, né? Sempre sinto cheiro de comida queimada vindo pela janela.
A – Sério? Não percebi nada... Mas deve vir do andar debaixo.
B – Do andar debaixo? Não, não... Embaixo tem só um apartamento vazio e minha mãe no outro... E minha mãe sempre come fora.
A – Bom, então é um mistério, não é mesmo? E falando em mistério... Que barulho é aquele que vem do seu apartamento todos os dias, desde o início da semana? É obra?
B – É o ensaio da minha banda!
A – Poxa... Pena que não poderão mais ensaiar lá no prédio, né?
B – E por que não?
A – A síndica proibiu.
B – Sendo que você e a síndica são as mesmas pessoas... Certo?
A – Pois é, mas isso é uma mera coincidência. Nada pessoal.
B – Engraçado você dizer isso, porque moramos num prédio de dois andares e quatro apartamentos... Um está vazio, no outro mora minha mãe e em cima moramos eu num, com minha prima, e você ao lado... Na hora que eu ensaio não recebo reclamação nenhuma do apartamento vazio ou da minha mãe que, aliás, não ouve bem...
... Também nem poderia receber reclamação da sua casa porque só ensaio quando você sai para a faculdade, seu pai para o trabalho e seus irmãos para a escola, então o meu ensaio incomoda a quem? Aliás, como você sabe do ensaio se nem tem ninguém na sua casa nesta hora?
A – Você esqueceu a Raimunda?
B – Raimunda?
A – Minha faxineira... Ela diz que não consegue fazer o trabalho dela por causa do barulho!
B – Achei que você mesma limpasse sua sujeira.
A – Pois é... Ela é faxineira, mas contratei para ajudar como cozinheira... Mas então, como fica?
B – Bom, isso explica a comida queimada... Mas... Só para confirmar... A Raimunda trabalha todos os dias, por uma miséria e nem tem carteira assinada, certo?
A – É... Foi uma espécie de acordo entre “senhoras de fino trato”.
B – Sendo assim, a situação fica como está... Eu com meu ensaio e você sem um processo... Também sei ser de “fino trato”, viu?
A – Claro querida... Sei que sua família tem tradição e que estão sempre nos jornais... Por falar nisso, seu pai e seu avô continuam presos ou já saíram em condicional?
B – Então... Eles devem ser liberados logo, pois já identificaram os verdadeiros responsáveis pelas fraudes na empresa.
A – Falando nisso, meu pai e meu tio acabaram de receber uma promoção lá... Sabia?
B – Claro... Todos sabem... Incluindo nosso advogado e a polícia federal.
A – O que quer dizer com isso?
B – Que todos sabem da promoção dos seus parentes, ué...
A – É... Eles trabalharam muito para isso. Deram o sangue para conquistarem essa promoção.
B – O sangue dos outros, aliás.
A – Isso é detalhe... O importante é que conquistaram tudo de forma honesta!
B – Engraçado esse novo conceito de honesto... Parece anúncio como os desse sabão em pó no seu carrinho, que diz “lavar mais branco”.
A – Não entendi a relação... Mas já que citou sabão em pó, devo te avisar que este produto para emagrecer que está levando aí não vai adiantar não, viu? Se ir para academia não te ajudou, não vai ser isso aí que vai resolver, né? Mas genética é assim mesmo, umas são mais, assim, cheinhas como você e outras em forma como eu... Não é culpa sua ser assim.
B – Ao menos não apelei para uma clínica de “lipo”.
A – É, mas se continuar levando esse monte de chocolates, biscoitos amanteigados e massa para pizza, logo vai querer uma também.
B – Como sou sua amiga vou te dar uma dica também... Ninguém fica chique porque come caviar... Educação vem de berço.
A – E você teve um?
B – Você sabe que “berço”, neste caso é uma figura de linguagem, né? É que às vezes esqueço que não terminou a escola e acabo usando termos além da sua capacidade... Mas não é por mal, é por hábito.
A – Entendo... E já que tocou neste assunto da escola. A sua não foi fechada por vender diplomas?
B – Sério? Não deve ter sido na minha época... Mas mudando de assunto... Eu estava olhando sua roupa...
A – Gostou? Nova tendência...
B – Brega-Retrô?
A -          Não... Moda-Novela.
B – Da novela das 8hs?
A – Não... Das 6hs... Por que?
B – Moda novela, para mim, só do horário nobre... 6hs é matinê, né?
A – É que não são tão velha como você... Ainda tenho corpinho de matinê.
B – Queria ver conseguir isso sem cirurgia plástica.
A – Impossível... E como sou sua amiga vou até te deixar um cartão de uma clínica. Pode deixa que não conto para ninguém. Tá? Sabe que sou discreta.
B – Claro, claro... Se estiver a mais de dois quilômetros nem dá para notar que está por perto.
A – Olha... Liberou o caixa...
B – Quer passar a frente? Seu carrinho não tem quase nada mesmo...
A – Obrigada... Vou aceitar... Vai que seu cartão é recusado e tenho de ficar esperando.
B – Se o seu for recusado faço questão de esperar.
A – Gentileza sua... Bom te encontrar, viu querida?
B – Também adorei... Até a próxima!

FIM

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

OPINIÃO - "CORRENDO O RISCO DE PERDER À MORTE"


A coisa mais inútil que andaram fazendo para a nossa língua, antes desta nova reforma ortográfica, foi modificar o termo “Correndo risco de vida” por “correndo risco de morte”.

Não sei como vivi tanto tempo correndo o risco errado.

Meu pai, que já é morto, é que se deu bem, pois com esse novo risco de perder a morte, pode ser que ele ressuscite.

O que tenho certeza que não ressuscitará por nada é a inteligência de quem inventou essa alteração preciosa.

No inicio a frase era “correndo o risco de perder a vida”, que numa evolução natural da língua ficou reduzida a “risco de vida”. Simples, né? O Jornal Nacional não concorda.

O que o Jornal não percebeu é que se agora as pessoas correm o risco de perder a morte, podemos ter um grave problema populacional com tanta gente saindo dos túmulos... Menos o nosso Português, que a cada dia agoniza mais depois de tantas intervenções cirúrgicas irresponsáveis.

Uma pergunta que não quer calar: Por que, já que mudaram o risco de vida, não mudaram também a palavra “obrigado”? Afinal não sou obrigado a assistir o Jornal Nacional... Ou sou?

Obrigado era, originalmente algo como: “Fico obrigado a agradecer pelo favor concedido por vossa mercê”, ou algo assim. O fato é que não falamos, normalmente, “agradeço”, mas “obrigado”.

Quem sabe o Jornal Nacional não nos corrige, né? 

MEMÓRIA - "CLUBE 869"


Na segunda metade dos anos 70 eu morava no que era a zona rural do Rio de Janeiro, no bairro de Guaratiba, na época ainda isolado (pois a Barra da Tijuca era só dunas de areia e ainda não tinha se transformado na cafona sucursal de Miami). As opções de boas escolas ficavam muito longe e as opções próximas, muito ruins, então a solução foi um meio termo e comecei a freqüentar os colégios em Campo Grande, que ficava a pouco mais de 20km do sítio onde eu vivia.

Comecei a pegar ônibus sozinho em 1980, antes mesmo de completar 10 anos, e para chegar ao ponto andava dois quilômetros a pé em estrada de terra, até encontrar o asfalto. Lá eu tinha três opções de ônibus, mas como todo morador local, esperava a linha mais barata que passava a cada 30 minutos, o “869”!

Como essa linha só passava a cada meia hora, era bom não perdê-lo ou era atraso certo. Todos os dias, as mesmas pessoas pegavam o mesmo ônibus com o mesmo motorista, o simpático Tião. Na volta da escola nos reencontrávamos e como eram sempre as mesmas pessoas, todos acabaram se conhecendo e o ônibus passou a ser umas espécie de clube sobre rodas, onde nos divertíamos um bocado.

Além do Tião ao volante, outros personagens faziam daquelas viagens diárias um verdadeiro “Magical Mystery Tour”. Tinha a Mônica, a gatinha mais linda e paquerada entre os estudantes que freqüentavam aquela linha e também a “Babá”, que era uma moça que sempre acompanhava um dos meninos, porque a mãe dele tinha medo que o seqüestrassem.

Um dia na volta da escola, já no 869, a mãe de um dos meninos levava compras para a festa de aniversário de seu filho, quando um dos passageiros sugeriu para começar a festa ali mesmo... E assim foi!

De repente o ônibus tinha bolas coloridas em todas as janelas, línguas de sogra sendo assopradas em todas as bocas, docinhos passando de mão em mão, refrigerante em copinho de papel e, claro, o bolo (com velinha e tudo). A Cada curva o rosto de alguém ficava marcado de glacê e a cada freada um banho de refrigerante quente. Atrás alguém ligou o radinho e deu a festa um fundo musical que todos acompanhavam com uma desafinação animadíssima.

A partir desse dia outras festas aconteceram no nosso clube... Bons tempos!

FICÇÃO - "A MAÇÃ E A SERPENTE"

INT/DIA - APARTAMENTO CLASSE MÉDIA.

EX-MULHER (entra gritando)– Sabia que estaria aqui... Uma vez amante, sempre amante... Né, vaca?! A culpa foi sua!

A AMANTE (calma e cínica)– Certamente sou culpada de algo, mas no seu caso não sei do que está falando.

EX-MULHER – Sua sonsa! Claro que sabe! Meu casamento acabou por sua causa!

A AMANTE – Acabou por causa de escândalos como esse... Ninguém merece! E você sabe que a muito tempo já não existe nada entre mim e seu EX-marido.

EX-MULHER – Acha que vou cair nessa?

A AMANTE – Infelizmente não tenho comprovante de “ex-amante”. De qualquer forma não sei por que acha que te devo alguma satisfação, já que eu só fiquei com ele depois que vocês se separaram...

EX-MULHER – E você acha que eu vou acreditar nesta história?

A AMANTE – Bom, eu acreditei quando ele me disse que havia se separado.

EX-MULHER – Porque é burra!

A AMANTE – Do meu ponto de vista, burra é a pessoa traída.

(Tensão entre as duas que quase partem para agressão física)

O CONVERTIDO (surpreso - saindo do banho)– Mas... Mas o que é isso? O que estão fazendo aqui? Já não fui bem claro da última vez?

A AMANTE E A EX-MULHER – NÃO!!!

O CONVERTIDO – Então vou ser agora... Não quero mais nada com vocês!!! Fim!!! Acabou!!! Beijo e tchau!!! Fui claro agora ou tenho que desenhar?

EX-MULHER – Ok, já entendi que não nos quer... Ela é fácil de entender que não queira... Mas eu... Poxa!

A AMANTE – (Para a Ex-Namorada)Cala a boca ô “espelho quebrado”, se enxerga!(Para o Convertido) Conheceu outra? Foi isso? O que aconteceu?

O CONVERTIDO –... Encontrei Jesus! Ok? Foi isso!

A AMANTE – Virou gay... Era só o que me faltava!

EX-MULHER - Jesus?! Tipo o da Madonna?

O CONVERTIDO – Não... Tipo o da Bíblia!

A AMANTE – Que pecado...

EX-MULHER – Menos pior, né? Já ouvi falar de ex-convertido, mas ex-gay, nunca!

O CONVERTIDO – Parem de falar besteiras, pelo amor de Deus! Não percebem que era a única solução para mim? Eu estava confuso, sem rumo, minha vida era aquela loucura...

A AMANTE – Podia ter resolvido isso com uma bússola e uma terapia básica.

EX-MULHER – Não liga para ela, não. Se precisar se confessar sabe onde moro.

O CONVERTIDO – Perdoe Senhor... Elas não sabem o que dizem!

A AMANTE – Ai...Não fale assim. Fico me sentindo uma pecadora.

EX-MULHER – ...E em que definição você acha que as amantes se encaixam.

A AMANTE – Se encaixam numa categoria melhor do que as “bulímicas”, que fazem cirurgia plástica usando a pensão da avó em coma.

EX-MULHER – Minha avó não está precisando do dinheiro e EU precisava do meu marido... Não tem comparação!

O CONVERTIDO – Chega! Fora daqui!

A AMANTE – Ouviu, né? Cai fora!

EX-MULHER – Caí fora você que é “a outra”, eu sou a mulher dele!

A AMANTE – EX-mulher!E além do mais...

O CONVERTIDO – FORA, AS DUAS!!

A AMANTE – Só saio depois que ela sair! Tenho meus direitos!

EX-MULHER – É a primeira vez que vejo EX-amante exigir direitos e até onde sei o único direito que você tem é o de ser condenada num processo de adultério.

A AMANTE – Ao menos não fui a traída... Fui a escolhida!

O CONVERTIDO – Só tem um jeito de resolver isso...

EX-MULHER (para o convertido)– Está ligando para quem?

A AMANTE (para o convertido)-... Pra polícia?

O CONVERTIDO – Para um exorcista... Só ele resolve caso de possessão.

A AMANTE –... E só uma internação no hospital psiquiátrico resolve caso de loucura!

O CONVERTIDO – Suas ironias não me atingem, estou protegido pela “Luz”!

EX-MULHER – Desta vez tenho de concordar com ela... Você não está “batendo bem”!

O CONVERTIDO – Vocês estão cegas pela escuridão!

A AMANTE – Querido... O que cega é a luz e não a escuridão... né?

O CONVERTIDO – Você diz isso porque não enxerga a verdade... Pecadora!

A AMANTE - Ei!! Não pequei sozinha... Tive sua ajuda, lembra?

EX-MULHER – É... (Para O CONVERTIDO) Parece que quem precisa de óculos para enxergar a verdade é você... E daqueles em 3D para além de enxergar melhor, também poder ver as coisas com mais, digamos, profundidade!

O CONVERTIDO – Bem que Deus me falou que eu teria que passar por uma difícil provação antes de me mudar para o Paraíso.

A AMANTE – Por acaso Deus era um arbusto pegando fogo?

O CONVERTIDO – Como sabe?!

EX-MULHER –... Com este tempo quente e seco, é fácil deduzir.

A AMANTE – Olha só... Vou tentar explicar de forma simples... Existe uma diferença entre você falar com Deus e Deus falar contigo. A primeira opção é uma forma de você dizer coisas que você mesmo precisa ouvir e substitui a terapia por ser mais barato. Na segunda opção você está tendo um surto esquizofrênico.

O CONVERTIDO – Isso é mais ou menos como quando vocês olhavam para mim e só viam meu cartão de crédito e minha conta bancária?

A AMANTE – Ahh... Você não quer comparar sua conta bancária com um arbusto pegando fogo, né?

EX-MULHER – Se faz questão do arbusto carbonizado, ele é todo seu... Mas se deixar de pagar minha pensão vai ver o que é o inferno!

O CONVERTIDO – Vocês só pensam em dinheiro.

A AMANTE – Não... Mas tudo em que pensamos só se compra com dinheiro.

EX-MULHER – Inclusive uma casa no condomínio “Paraíso”. Acha que vai escapar da pensão se passar por “santinho do pau oco”? Também quero ir para o Paraíso... E vou por direito adquirido!

A AMANTE – Bom, eu não tenho direito a pensão... Mas seu filho vai ter... Eu vim aqui para dizer que estou grávida!

O CONVERTIDO –... E imagino que, agora, também queira seu lugar no Paraíso.

A AMANTE – O nome do condomínio não importa.

EX-MULHER – Devo admitir que esta última revelação me surpreendeu... Mas parabéns pela gravidez. Tentei de todo jeito, mas só me restou o divórcio.

A AMANTE – Obrigada! Tentei o casamento, mas só me restou engravidar!

O CONVERTIDO – Vocês deviam formar uma dupla sertaneja... “A Maçã e a Serpente”.

EX-AMANTE – Até que não é uma má idéia... Depois disso tudo já estou gostando de você (para a Amante).

A AMANTE – Obrigada... Também achei você muito interessante... O que acha de continuarmos este papo num lugar mais tranqüilo?

EX-MULHER – Gosta de vinho?

A AMANTE – Só se for à luz de velas!

EX-MULHER – Na minha casa ou na sua?

FIM