quarta-feira, 31 de agosto de 2011

OPINIÃO - "CORRENDO O RISCO DE PERDER À MORTE"


A coisa mais inútil que andaram fazendo para a nossa língua, antes desta nova reforma ortográfica, foi modificar o termo “Correndo risco de vida” por “correndo risco de morte”.

Não sei como vivi tanto tempo correndo o risco errado.

Meu pai, que já é morto, é que se deu bem, pois com esse novo risco de perder a morte, pode ser que ele ressuscite.

O que tenho certeza que não ressuscitará por nada é a inteligência de quem inventou essa alteração preciosa.

No inicio a frase era “correndo o risco de perder a vida”, que numa evolução natural da língua ficou reduzida a “risco de vida”. Simples, né? O Jornal Nacional não concorda.

O que o Jornal não percebeu é que se agora as pessoas correm o risco de perder a morte, podemos ter um grave problema populacional com tanta gente saindo dos túmulos... Menos o nosso Português, que a cada dia agoniza mais depois de tantas intervenções cirúrgicas irresponsáveis.

Uma pergunta que não quer calar: Por que, já que mudaram o risco de vida, não mudaram também a palavra “obrigado”? Afinal não sou obrigado a assistir o Jornal Nacional... Ou sou?

Obrigado era, originalmente algo como: “Fico obrigado a agradecer pelo favor concedido por vossa mercê”, ou algo assim. O fato é que não falamos, normalmente, “agradeço”, mas “obrigado”.

Quem sabe o Jornal Nacional não nos corrige, né? 

MEMÓRIA - "CLUBE 869"


Na segunda metade dos anos 70 eu morava no que era a zona rural do Rio de Janeiro, no bairro de Guaratiba, na época ainda isolado (pois a Barra da Tijuca era só dunas de areia e ainda não tinha se transformado na cafona sucursal de Miami). As opções de boas escolas ficavam muito longe e as opções próximas, muito ruins, então a solução foi um meio termo e comecei a freqüentar os colégios em Campo Grande, que ficava a pouco mais de 20km do sítio onde eu vivia.

Comecei a pegar ônibus sozinho em 1980, antes mesmo de completar 10 anos, e para chegar ao ponto andava dois quilômetros a pé em estrada de terra, até encontrar o asfalto. Lá eu tinha três opções de ônibus, mas como todo morador local, esperava a linha mais barata que passava a cada 30 minutos, o “869”!

Como essa linha só passava a cada meia hora, era bom não perdê-lo ou era atraso certo. Todos os dias, as mesmas pessoas pegavam o mesmo ônibus com o mesmo motorista, o simpático Tião. Na volta da escola nos reencontrávamos e como eram sempre as mesmas pessoas, todos acabaram se conhecendo e o ônibus passou a ser umas espécie de clube sobre rodas, onde nos divertíamos um bocado.

Além do Tião ao volante, outros personagens faziam daquelas viagens diárias um verdadeiro “Magical Mystery Tour”. Tinha a Mônica, a gatinha mais linda e paquerada entre os estudantes que freqüentavam aquela linha e também a “Babá”, que era uma moça que sempre acompanhava um dos meninos, porque a mãe dele tinha medo que o seqüestrassem.

Um dia na volta da escola, já no 869, a mãe de um dos meninos levava compras para a festa de aniversário de seu filho, quando um dos passageiros sugeriu para começar a festa ali mesmo... E assim foi!

De repente o ônibus tinha bolas coloridas em todas as janelas, línguas de sogra sendo assopradas em todas as bocas, docinhos passando de mão em mão, refrigerante em copinho de papel e, claro, o bolo (com velinha e tudo). A Cada curva o rosto de alguém ficava marcado de glacê e a cada freada um banho de refrigerante quente. Atrás alguém ligou o radinho e deu a festa um fundo musical que todos acompanhavam com uma desafinação animadíssima.

A partir desse dia outras festas aconteceram no nosso clube... Bons tempos!

FICÇÃO - "A MAÇÃ E A SERPENTE"

INT/DIA - APARTAMENTO CLASSE MÉDIA.

EX-MULHER (entra gritando)– Sabia que estaria aqui... Uma vez amante, sempre amante... Né, vaca?! A culpa foi sua!

A AMANTE (calma e cínica)– Certamente sou culpada de algo, mas no seu caso não sei do que está falando.

EX-MULHER – Sua sonsa! Claro que sabe! Meu casamento acabou por sua causa!

A AMANTE – Acabou por causa de escândalos como esse... Ninguém merece! E você sabe que a muito tempo já não existe nada entre mim e seu EX-marido.

EX-MULHER – Acha que vou cair nessa?

A AMANTE – Infelizmente não tenho comprovante de “ex-amante”. De qualquer forma não sei por que acha que te devo alguma satisfação, já que eu só fiquei com ele depois que vocês se separaram...

EX-MULHER – E você acha que eu vou acreditar nesta história?

A AMANTE – Bom, eu acreditei quando ele me disse que havia se separado.

EX-MULHER – Porque é burra!

A AMANTE – Do meu ponto de vista, burra é a pessoa traída.

(Tensão entre as duas que quase partem para agressão física)

O CONVERTIDO (surpreso - saindo do banho)– Mas... Mas o que é isso? O que estão fazendo aqui? Já não fui bem claro da última vez?

A AMANTE E A EX-MULHER – NÃO!!!

O CONVERTIDO – Então vou ser agora... Não quero mais nada com vocês!!! Fim!!! Acabou!!! Beijo e tchau!!! Fui claro agora ou tenho que desenhar?

EX-MULHER – Ok, já entendi que não nos quer... Ela é fácil de entender que não queira... Mas eu... Poxa!

A AMANTE – (Para a Ex-Namorada)Cala a boca ô “espelho quebrado”, se enxerga!(Para o Convertido) Conheceu outra? Foi isso? O que aconteceu?

O CONVERTIDO –... Encontrei Jesus! Ok? Foi isso!

A AMANTE – Virou gay... Era só o que me faltava!

EX-MULHER - Jesus?! Tipo o da Madonna?

O CONVERTIDO – Não... Tipo o da Bíblia!

A AMANTE – Que pecado...

EX-MULHER – Menos pior, né? Já ouvi falar de ex-convertido, mas ex-gay, nunca!

O CONVERTIDO – Parem de falar besteiras, pelo amor de Deus! Não percebem que era a única solução para mim? Eu estava confuso, sem rumo, minha vida era aquela loucura...

A AMANTE – Podia ter resolvido isso com uma bússola e uma terapia básica.

EX-MULHER – Não liga para ela, não. Se precisar se confessar sabe onde moro.

O CONVERTIDO – Perdoe Senhor... Elas não sabem o que dizem!

A AMANTE – Ai...Não fale assim. Fico me sentindo uma pecadora.

EX-MULHER – ...E em que definição você acha que as amantes se encaixam.

A AMANTE – Se encaixam numa categoria melhor do que as “bulímicas”, que fazem cirurgia plástica usando a pensão da avó em coma.

EX-MULHER – Minha avó não está precisando do dinheiro e EU precisava do meu marido... Não tem comparação!

O CONVERTIDO – Chega! Fora daqui!

A AMANTE – Ouviu, né? Cai fora!

EX-MULHER – Caí fora você que é “a outra”, eu sou a mulher dele!

A AMANTE – EX-mulher!E além do mais...

O CONVERTIDO – FORA, AS DUAS!!

A AMANTE – Só saio depois que ela sair! Tenho meus direitos!

EX-MULHER – É a primeira vez que vejo EX-amante exigir direitos e até onde sei o único direito que você tem é o de ser condenada num processo de adultério.

A AMANTE – Ao menos não fui a traída... Fui a escolhida!

O CONVERTIDO – Só tem um jeito de resolver isso...

EX-MULHER (para o convertido)– Está ligando para quem?

A AMANTE (para o convertido)-... Pra polícia?

O CONVERTIDO – Para um exorcista... Só ele resolve caso de possessão.

A AMANTE –... E só uma internação no hospital psiquiátrico resolve caso de loucura!

O CONVERTIDO – Suas ironias não me atingem, estou protegido pela “Luz”!

EX-MULHER – Desta vez tenho de concordar com ela... Você não está “batendo bem”!

O CONVERTIDO – Vocês estão cegas pela escuridão!

A AMANTE – Querido... O que cega é a luz e não a escuridão... né?

O CONVERTIDO – Você diz isso porque não enxerga a verdade... Pecadora!

A AMANTE - Ei!! Não pequei sozinha... Tive sua ajuda, lembra?

EX-MULHER – É... (Para O CONVERTIDO) Parece que quem precisa de óculos para enxergar a verdade é você... E daqueles em 3D para além de enxergar melhor, também poder ver as coisas com mais, digamos, profundidade!

O CONVERTIDO – Bem que Deus me falou que eu teria que passar por uma difícil provação antes de me mudar para o Paraíso.

A AMANTE – Por acaso Deus era um arbusto pegando fogo?

O CONVERTIDO – Como sabe?!

EX-MULHER –... Com este tempo quente e seco, é fácil deduzir.

A AMANTE – Olha só... Vou tentar explicar de forma simples... Existe uma diferença entre você falar com Deus e Deus falar contigo. A primeira opção é uma forma de você dizer coisas que você mesmo precisa ouvir e substitui a terapia por ser mais barato. Na segunda opção você está tendo um surto esquizofrênico.

O CONVERTIDO – Isso é mais ou menos como quando vocês olhavam para mim e só viam meu cartão de crédito e minha conta bancária?

A AMANTE – Ahh... Você não quer comparar sua conta bancária com um arbusto pegando fogo, né?

EX-MULHER – Se faz questão do arbusto carbonizado, ele é todo seu... Mas se deixar de pagar minha pensão vai ver o que é o inferno!

O CONVERTIDO – Vocês só pensam em dinheiro.

A AMANTE – Não... Mas tudo em que pensamos só se compra com dinheiro.

EX-MULHER – Inclusive uma casa no condomínio “Paraíso”. Acha que vai escapar da pensão se passar por “santinho do pau oco”? Também quero ir para o Paraíso... E vou por direito adquirido!

A AMANTE – Bom, eu não tenho direito a pensão... Mas seu filho vai ter... Eu vim aqui para dizer que estou grávida!

O CONVERTIDO –... E imagino que, agora, também queira seu lugar no Paraíso.

A AMANTE – O nome do condomínio não importa.

EX-MULHER – Devo admitir que esta última revelação me surpreendeu... Mas parabéns pela gravidez. Tentei de todo jeito, mas só me restou o divórcio.

A AMANTE – Obrigada! Tentei o casamento, mas só me restou engravidar!

O CONVERTIDO – Vocês deviam formar uma dupla sertaneja... “A Maçã e a Serpente”.

EX-AMANTE – Até que não é uma má idéia... Depois disso tudo já estou gostando de você (para a Amante).

A AMANTE – Obrigada... Também achei você muito interessante... O que acha de continuarmos este papo num lugar mais tranqüilo?

EX-MULHER – Gosta de vinho?

A AMANTE – Só se for à luz de velas!

EX-MULHER – Na minha casa ou na sua?

FIM


domingo, 31 de julho de 2011

OPINIÃO - "O URSO, O PAPAGAIO E EU, O BURRO"

Por favor, sou meio burro, então gostaria que alguém pudesse me explicar sobre alguns fatos que já me incomodam a muito tempo e como até hoje não consigo ver sentido, precisarei de ajuda para entender.

Se uma pessoa é ativista pelos direitos dos animais deve ser porque ela gosta e quer o bem desses animais. Estou certo até aqui?

Em 2006 Ativistas dos direitos dos animais pediram o sacrifício de Knut, um ursinho polar nascido num zoológico da Alemanha e rejeitado pela mãe. Por ter sido rejeitado foi criado por um tratador, funcionário do zoológico o que alguns acham desumano (?!) e por isso querem mata-lo!

Knut cresceu com saúde, graças aos funcionários do zôo que o alimentaram com uma mamadeira, deixaram o filhote dormir ao lado deles na cama e até tocaram músicas de Elvis Presley para ele. No entanto, os ativistas disseram que o animal ficaria extremamente apegado aos tratadores humanos, que não conseguiria se separar deles quando ficasse grande e muito perigoso (não tanto quantos os ativistas, claro), que nunca conseguiria se entrosar com outros ursos e por todas essas “razões” o correto seria sacrificar o filhote.

Sei que é fácil entender isso e que faz todo sentido os ativistas dos direitos dos animais quererem matar os próprios, mas minha mente limitada não alcança tamanha evolução de pensamento... Eu adoro, amo animais, então tenho que matá-los? É isso? Alguém pode me esclarecer?

Fico com vergonha de admitir, mas não foi o único caso que me deixou confuso e com essa sensação de estupidez no ar, por isso vou contar mais uma situação... Essa em território tupiniquim.

Em julho de 2008, depois de uma denúncia anônima, feita por algum vizinho camarada, uma senhora de 73 anos moradora de Belo Horizonte teve sua vida transformada num inferno pelo IBAMA, porque tinha em sua casa um... Papagaio!

Os próprios fiscais do órgão em questão comprovaram os bons cuidados com a ave, que era bem tratada e alimentada pela criminosa de alta periculosidade, com 73 anos, hipertensa e cardíaca.

Entendo que está na lei, que sem devida autorização do IBAMA não se pode criar espécimes da fauna silvestre e blá, blá, blá... Mas como nem a lei e nem os fiscais são burros, pois o burro sou eu, então me respondam: Por que diabos não dão a tal autorização pra tal senhora de 73 anos, aposentada, pobre, hipertensa e cardíaca?

Esse papagaio deve ser muito importante mesmo... A Amazônia diminui de tamanho todos os dias, de forma ilegal, provocando morte de vários animais (incluindo papagaios), colaborando com o aquecimento global, acabando com territórios do tamanho de cidades ou mesmo do tamanho de paises inteiros etc. Enquanto existir idosas pondo a civilização em risco, os dedicados e inteligentes vigilantes da ordem e da lei estarão sempre alertas! Azar dos pobres papagaios.

Bom, melhor eu ir antes que ativistas e fiscais resolvam me sacrificar!

MEMÓRIA - "PRIMEIRA PÁGINA"

Na época de faculdade eu era um romântico e achava que todos os estudantes seriam engajados e fariam de tudo para se aprimorarem e se tornarem melhores profissionais, mesmo que para isso fossem obrigados a matar algumas aulas.

É... Matavam aulas sim, mas para fumar maconha.

Era 1995 e eu estava no segundo período do curso de comunicação social, sonhando em ser um jornalista do Washington Post e só pensava em conseguir uma grande oportunidade... Em março daquele ano ela surgiu.

Haveria um grande encontro no Centro Cultural Banco do Brasil, para o lançamento de um importante projeto cultural e eu soube na hora que aquela seria a grande chance de ganhar meu Pulitzer.

Tentei arregimentar uma turma para ir comigo cobrir o evento, mas as aulas teóricas (e fumar maconha, claro) eram mais importantes, então fui sozinho para o centro da cidade.

Cheguei cedo, mas o prédio já estava isolado por um cerco policial, afinal até o presidente Fernando Henrique estaria presente. Mesmo portando somente uma máquina fotográfica amadora e sem uma credencial que justificasse minha presença ali, consegui permanecer próximo ao prédio. Outro isolamento foi feito e por eu ter chegado cedo consegui ficar entre um isolamento e outro, o que no meu caso era um privilégio.

Os ilustres participantes que dariam aval ao projeto começaram a chegar, entre eles Ziraldo e Pelé, todos devidamente registrados pelo “clic” de minha humilde câmera amadora.

Por fim chega o ônibus com o presidente e eu ali, registrando tudo ao lado dos jornalistas (de verdade) e realmente credenciados.

Com todos já dentro do prédio e com a reunião em curso quase fui embora, mas ao observar uma manifestação se aproximando farejei um furo jornalístico e resolvi ficar.

Meu faro estava certo e aconteceu um grande conflito entre manifestantes e policiais. Apesar da minha memória de peixe, me lembro bem das bombas de gás atiradas para todos os lados e do fato de eu correr da fumaça tóxica, parar, virar para fazer uma foto, voltar a correr, parar novamente para outra foto e repetir esta seqüência ainda mais duas vezes.

Conclusão: Matei aula, mas aprendi muito, fiz ótimas fotos e ainda consegui publicá-las na primeira página de um jornal carioca.

... Pena que publicaram com meu nome escrito errado.

FICÇÃO - "A PROSTITUTA E O PADRE"


INT/DIA - INTERIOR DE UMA IGREJA.

MARIA – Perdoe-me Padre!

PADRE – Desta vez, não!

MARIA – Sabe que não foi minha culpa.

PADRE – Você não tem saída! ... Pecadora!

MARIA –... Diabos!

PADRE – Como?!

MARIA – Desculpe Padre!

PADRE – Já disse que não! Como é que você marca com outro, sabendo que era meu dia? Cansou de mim, me esqueceu? ...Confessa Maria!

MARIA – Confesso... Mas não vai me dar penitência por isso, porque a culpa é do Bispo!

PADRE – Do Bispo?!

MARIA – É... Aquele da Tv... Paga beem... Precisa ver.

PADRE – Ai meu Deus! Aquele bispo?! Ficou maluca? O que deu em você?

MARIA – Você quer dizer o que dei para ele?

PADRE – Sem detalhes!

MARIA – Ok...

PADRE –... Ta bom... Sei que não pode deixar esses fatos aprisionados na sua alma torturada pelo pecado... Pode contar os detalhes. Se quiser... Claro.

MARIA – Ah...Você sabe... Faço de tudo... Menos penetração vaginal! Meu maior patrimônio é minha virgindade. Estou me guardando para o “príncipe encantado”.

PADRE – Depois de beijar tantos sapos ainda acredita que algum deles vai virar príncipe?

MARIA – Você quer dizer que se acha um sapo?

PADRE – Outra gracinha dessas e vai passar o mês rezando o “Pai Nosso”.

MARIA – Não!!! Desculpe!

PADRE – Já disse Maria... Não tem perdão!

MARIA – Tá... Então o que quer que eu faça? ...Vamos fazer o seguinte: Eu faço de graça hoje, e você me perdoa... Combinado? O que acha?

PADRE – Hummm...

MARIA – Posso raspar ...

PADRE –... Tem uniforme de colégio?

MARIA – Gosta de uma menininha, Né? Confessa!

PADRE – Querida, o padre aqui sou eu!

MARIA – Ta bom... Não vou ganhar mais por discutir isso, mas... Se preferir algo, digamos, mais”radical”, é só uma taxa extra.

PADRE – Tipo o que?

MARIA – Não se preocupe, é só uma taxa simbólica... Nada que um dízimo não possa cobrir.

PADRE – Eu estava me referindo ao “radical”.

MARIA – Ahh... Algemas, chicote, essas coisas... Ficaria perfeito para você.

PADRE – Esqueça! Isso não funciona para mim.

MARIA – Bom... Melhor assim, no fundo detesto essas vulgaridades.

PADRE – Você acha que não é vulgar só por causa disso?

MARIA – E você acha que vai para o céu?

PADRE – Não sei... Mas nada pode ser pior que viver neste inferno de vida.

MARIA – Cada um carrega a cruz que merece... Vai querer ou não o tempo está passando... E hoje é “bandeira 2”!

FIM

quinta-feira, 30 de junho de 2011

OPINIÃO - "MEUS DELÍRIOS DE POLÍTICA"


Eu achava que detestava política, porque não me sinto atraído por assuntos que envolvam questões do tipo, mas percebi que essa minha implicância se deve ao descaso de nossos egocêntricos candidatos.

Outro dia, num esforço atroz pra lembrar do nome dos ilustres, vieram a minha mente palavras que lembravam o nome de uma dupla sertaneja, algo como: “Coelhinho da Páscoa e Bicho Papão”!

É, reconheço que política não seja um assunto que eu domine... Mas mesmo com toda minha vergonhosa ignorância no assunto e esquecimentos que não tem perdão, arrisco imaginar soluções para um melhor funcionamento de nossa “democracia” (assim mesmo entre aspas, porque não acredito nessa suposta democracia, baseada na ignorância do povo).

Acredito que os políticos, assim que tomam posses de seus cargos deveriam perder seus direitos civis... Isso mesmo, não estou brincando. A liberdade deles, e da família, seria resumida aos bens e usos de serviços públicos. Nada mais de clínicas de saúdes particulares, restaurantes finos, colégios ou faculdades particulares e caros. Nada de ostentações sustentadas pelo dinheiro do contribuinte.

Nosso dinheiro pagaria, talvez, um salário justo (talvez também, pois não merecem tanto) e de resto, como sustentamos o serviço público, nada mais justo (para nós) que os nossos políticos se servissem somente dos mesmo benefícios que nós mortais. Sendo assim, tenho certeza de que, rapidamente, teríamos uma melhora significativa em todo sistema público de educação, saúde e todo o resto!



Já pensou que simpático encontrar o prefeito na reunião de pais da escola pública, falando de seu filho e coleguinhas matriculados ali? Ou ainda encontrar o governador e sua senhora na fila do SUS pra tratarem de uma violenta gripe... Nossa! Seria incrível! Nosso sistema público finalmente teria qualidade de instituições particulares, com todo recurso e estruturas necessárias para um bom atendimento!  

Claro que não podemos esperar que os digníssimos se submetam a tanta humilhação. Afinal, humilhação é direito só do povo (considerando que políticos e povo são coisas diferentes).

Mas um amigo vai mais longe, e acha que políticos nem deviam ter salário, que o trabalho deles deveria ser voluntário! É... Melhor parar de falar ou vão querer jogar eu e meu amigo num hospício do sistema público... Credo!

MEMÓRIA - "ARTE SEQÜENCIAL"

Eu tinha 24 anos e já havia terminado a escola a cinco anos, em 1989, e desde então só fazia cursos... Curso de histórias em quadrinhos, de desenho, de aquarela, roteiro e por aí vai (nada prático ou que fosse considerado como trabalho). Mas foi em meados de 1994, voltando de um curso de artes gráficas que tudo mudou! Peguei um ônibus errado e tive de descer no meio do caminho para pegar outro. Saltei bem em frente a uma faculdade que anunciava em letras garrafais: ”Vestibular de meio de ano – Inscrições abertas”.

Curioso entrei e fui pedir informações na secretaria onde uma moça muito competente e prestativa me deu uns papéis e sumiu por uma porta (de onde não voltou). Eram papéis de inscrição (e não de informações, como eu esperava), então para passar o tempo resolvi preenchê-lo e ao fim, por fim, aparece alguém, outra moça, pra quem entrego minha ficha devidamente preenchida, mas ainda sem minhas informações. Ameacei não entregar a ficha se ao menos não me dissesse quando seriam as provas. “- Depois de amanhã”, disse ela já me entregando uma outra folha com regulamentos da prova. Quando fui tirar uma dúvida, ela já havia sumido por aquela porta misteriosa.

Com dois dias pra me preparar para a prova do vestibular, fiz o óbvio, separei todos os antigos livros da escola que tinha em casa e coloquei-os todos sobre a mesa. Depois liguei a tv, peguei um filme na pilha de VHS’s e fiz uma maratona digna de um cinéfilo durante as 48hs que se seguiram (com pausa para ir ao banheiro, dormir e comer, logicamente). Os livros, ali, me fizeram companhia sempre com aquele silêncio austero que lhes é peculiar, até o último momento.

Não contei a ninguém que faria a tal prova, afinal nem ia passar mesmo. Já não estudava nada semelhante ao que pediam para o concurso, desde que saí da escola 5 anos antes, e só tinha dois dias pra rever uns dez anos de matéria... Sem chances! Iria fazer por pura curiosidade (ou puro masoquismo, sei lá).

No dia da prova eu estava tranqüilo, não tinha nada a perder, só aquela manhã mesmo, mas como era uma questão de honra, acordei a contra gosto e fui pro matadouro.

Não foi ruim como eu esperava. Foi como marcar o bilhete da loteria. Ao meu lado um menino marcava as lacunas formando um desenho. Era uma questão de sorte pela estética. Eu tentei algo diferente e tentei a sorte pela razão, se é que isso é compatível, e li cada questão pra ver o que eu sabia. De fato não lembrava de nada, mas ao menos tentei.

Dias depois fui pegar meu resultado (não sei pra que, não passaria mesmo). E pra minha surpresa... PASSEI!!! Nossa, que coisa... Será que dizer que o fato de ter feito o concurso numa faculdade particular, faz diferença? Não importa, pra mim não fez!

Me formei em jornalismo!

... E agora trabalho com histórias em quadrinhos.

FICÇÃO - "FUNDO DO POÇO"

Atila era um ser tão desprezível que sua alma foi rejeitado até no inferno. “- Não quero concorrência! Fora daqui!” Disse Lúcifer barrando aquele espírito que já era podre antes mesmo da decomposição de seu corpo físico. No céu nem arriscou entrar, pois sabia que os anjos que guardam o portão do paraíso o mandariam para o inferno.

Não tendo para onde ir, voltou ao cemitério onde fora enterrado e fez reflexões pessoais sobre sua última morada. “- Enterrado numa cova rasa! Se ainda fosse naquele mausoléu triplex. Aquilo sim é vida... Ou morte”. Saber que depois de dar duro em tantos golpes, a sua vida toda, para acabar naquela situação era a maior humilhação que podia sofrer.

Como ser golpista e mau-caráter era de sua natureza, nem aquela situação modificou seus impulsos e lá foi ele tentar um golpe em algum morador daquela necrópole. Mas dar golpe em quem? Para ganhar o que?

Depois de descobrir que do mundo nada se leva, descobriu que do outro lado também nada se ganha, com ou sem golpes.

Olhou em volta atrás de algum fantasma fêmea que pudesse fazê-lo se sentir vivo, mesmo que tudo nele tivesse morto. Só não chorou em sua melancólica realidade, porque as lágrimas também não existiam mais. Como consolo, choveu!

Graças a água da chuva uma plantinha brotou na terra que cobria seu corpo. Atila sorriu e pensou que aquilo devia ser sinal de boa sorte ou que era um sinal da natureza pra mostrar solidariedade.

Era um pé de urtiga, mas logo secou.

Certo dia um simpático vira-latas se aproximou, abanou o rabinho com alegria, como costumam fazer quando estão alegres. Atila sorriu mais uma vez: “- Está me vendo né cachorrinho? Vem cá! Me faz companhia!” O cachorro abanou ainda mais o rabinho, deu algumas voltas no espaço de terra onde Atila estava enterrado, parou, cheirou o chão, se aproximou da planta seca com certo receio, levantou a perninha e fez xixi.

Atila quis morrer de raiva, mas já estava morto!    

segunda-feira, 30 de maio de 2011

OPINIÃO - "O CARINHOSO TROTE UNIVERSITÁRIO"


Passar pra faculdade é um evento marcante na vida de qualquer pessoa... E marca mesmo! Entre os mimos mais marcantes, que os novos alunos recebem, temos: Ferimentos, afogamentos, humilhações e até queimaduras provocadas pelo calor humano! Comovente!

A festa do trote promove a integração e a cordialidade entre alunos veteranos e os calouros. Estão pensando que o início da vida acadêmica se resume ao esforço para ser um profissional competente e respeitado? Ledo engano! O princípio da vida acadêmica é recheado de risos (bom, talvez nem tanto, mas deve ser timidez dos calouros) e caras pintadas (a dos calouros, só, pois os veteranos são pessoas sérias e não tem comportamentos imaturos).

Nessa celebração também encontramos palavras de ordem e manifestações de carinho (dos veteranos), que chegam a levar alguns calouros as lágrimas e alguns até ao hospital (deve ser por causa da emoção).

Acho tão nobre esse ritual, uma prova de maturidade e caráter tão excepcional, que fico surpreso comigo mesmo de ter tentado fugir de passar por essa manifestação calorosa e solidária.

A celebração ritualizada pelo trote, nos dá uma idéia da qualidade dos médicos, engenheiros, advogados e outros profissionais extremamente qualificados e de caráter inquestionável, que estarão a serviço da população.

Eu estava pensando aqui... Acho que essa coisa do trote, que os veteranos (e futuros “profissionais”) aplicam nos calouros, tão importante na vida de uma pessoa, no futuro profissional dela, que acho que deveria constar em seus currículos (com fotos anexadas).

Mas, se dependesse disso, será que eu teria chances no mercado de trabalho? Afinal nunca apliquei trot... Ops, me entreguei!

Ok, ok... Admito que até me orgulho disso (que coisa feia, né?)!

Não me resta outra coisa senão pedir perdão por essa falha de caráter.

MEMÓRIA - "O TEMPO, O VENTO E AS MANGAS"

Eu ainda morava no meu sítio em Guaratiba, região onde, antes do famoso Projac, a Rede Globo usava para gravar algumas de suas produções.

Era período das férias escolares. Devia ser fim de 1984 ou início de 85, quando gravaram por lá a mini-série “O Tempo e o Vento”, baseada na obra homônima de Érico Veríssimo.

Não era a primeira vez que eu e meus amigos acompanhávamos a produção de algum programa, mas a diferença é que desta vez tivemos uma idéia brilhante... Vender mangas para os atores!

Saímos de casa numa manhã e começamos a juntar as mangas das árvores do meu sítio e depois subimos o morro no terreno de trás, onde havia outros tipos de manga. No fim tínhamos mais mangas do que podíamos carregar, chupamos algumas e deixamos um outro tanto para mais tarde. Selecionamos as mais bonitas e maduras, enchemos um caixote de madeira e seguimos para o local das gravações.

Acho que foi uma caminhada de uns três quilômetros a pé carregando o caixote cheio de mangas até a locação. Acho que não preciso dizer que no caminho paramos para “reabastecer” pegando algumas das mangas selecionadas para venda.

Já no meio da cidade cenográfica (vazia), sentamos e ficamos esperando que o capitão Rodrigo (Tarcísio Meira) viesse comprar uma deliciosa carlotinha, ou mesmo uma espada, se assim fosse de sua preferência.

Esperamos, esperamos, esperamos...

Mas por que diabos não aparecia ninguém naquela cidade fantasma?!

Olhei para meu amigo que já se lambuzava devorando outra manga e perguntei: “- Que dia é hoje?”

Era domigo!

Largamos a caixa com as mangas para trás e fomos para casa.

FICÇÃO - "CORNO E ENTERRADO"

Atila acordou morto... Tudo escuro a sua volta, mas o cheiro de terra não deixava dúvidas, estava sepultado!

Morto com requintes de crueldade, e Atila previa que um dia acabaria assim, pois sabia todos os motivos para estar naquela situação, mas desconhecia quem era seu assassino e sua curiosidade quase o fez ressuscitar. A verdadeira tortura era a dúvida por não saber quem tinha sido responsável por colocá-lo naquela situação.

Seu corpo apodrecia rápido e não sabia se com o cérebro prestes a se deteriorar ainda conseguiria pensar com clareza.

Todos queriam vê-lo morto. Lembrou de todas as pessoas que trapaceou, todas as mulheres que magoou e mais uma lista interminável de gente com motivo para matá-lo.

Como era muito vaidoso e egocêntrico chegou a conclusão que aquilo era impossível, pois era esperto demais para ser descoberto e morto. Mas o fato é que estava morto e não lembrava como havia acontecido.

Então, algo passou por sua cabeça: - Ah, é só um verme! Ainda bem que não é uma barata... Detesto baratas! E com isso voltou a suas especulações sobre seu destino final.

- Algo não está cheirando bem! Constatou Atila em suas divagações.

Quando achou que não teria mais surpresas, veio o choque!

- Minha mulher! - gritou ele em pensamentos, ao lembrar que sua esposa o assassinara para ficar com o vizinho, que era seu amante! - Essa não! Morri corno!

Recobrando suas lembranças se desesperou, sua reputação estava em risco, afinal tinha sido malandro em vida... Profissional! Jamais poderia ter sido enganado tão facilmente.

- É, cheguei ao fundo do poço!

No desespero procurou uma saída, uma luz no fim do túnel, mas em vão! Pensou em subornar alguém!

... Lembrou que do mundo nada se leva, nem dinheiro e nem pessoas para se subornar. - E agora? Atila sabia que não havia mais volta, então relaxou e fez sua última reflexão:

- Podiam ao menos terem me deixado trazer uma palavra cruzada!


FIM

sexta-feira, 29 de abril de 2011

OPINIÃO - "A MALDIÇÃO DA MÚMIA"

Sempre ouço a assustadora frase “quem vive de passado é museu” e o brasileiro acredita tanto nisso que faz questão de esquecer tudo, como se a história do mundo ou mesmo as pessoais, não tivessem valor algum, mas o assunto aqui não é a memória do povo não, mas a displicência com que as autoridades cuidam de verdadeiros testemunhos deixados por nossos antepassados e que agonizam em meio ao mofo do descaso.

Um caso que me impressionou muito a alguns anos foi o de uma múmia, encarcerada em um de nossos pobres museus. Curiosamente a maldição atingiu não a nós, mas a própria múmia, coitada, que sobreviveu (se é que podemos dizer assim) escondida por uns dois mil anos enterrada em algum deserto. Encontrada por algum Indiana Jones, ela estava sendo transportada para algum lugar, que não me lembro agora pra onde era, mas certamente não era pro Brasil. Para azar da pobre múmia, veio parar em território tupiniquim por engano, ainda na época do império.

Percebemos o engano, até onde sei, mas pra que desfazer o mal entendido e devolver a pobre múmia azarada e embolorada? Ficamos com ela, claro! Mas a parte mais assustadora dessa incrível jornada vivida (se é que se pode dizer assim) pela múmia, é que ela foi capaz de viver seus dois mil anos no deserto, completamente intacta, bem preservada e sem precisar de botox ou silicone. Mas foi só chegar ao Brasil, que a pobre não durou nem 200 anos e já está agonizando em umidade e mofo por todo lado.

Mas o que podíamos esperar de um país que é conhecido como “gigante adormecido”? Acho que esse gigante está é em coma profundo! Não sei se acorda mais não, mas se acordar, vai ter um trabalho danado pra se recuperar... E duvido que se recupere cem por cento. A múmia, então... Pobre múmia!

Bom, mas se nosso sistema de saúde não funciona pra nós que ainda estamos vivos, não seria pra uma múmia milenar que funcionaria, né? E olha que mesmo com todo seu tesouro, não foi capaz de manter um plano particular de saúde. Disseram que pela idade dela, não era o suficiente... E que não faziam cobertura em problemas com mofo!

E pensar que quando eu era criança queria levar o osso de dinossauro que estava no museu, de presente pro meu cachorro... Mas eu era criança, não político!

MEMÓRIA - “O BOY INVESTIGATIVO”

Em 1995 eu estava no terceiro período da faculdade de comunicação e começando a me envolver mais com fotografia. Já tinha até uma foto publicada em jornal (pequeno detalhe, com meu nome escrito errado!), mas isso é outra história.

Duas amigas minhas, acho que uma delas ainda era menor na época, foram visitar um estúdio de um fotógrafo profissional, na esperança de conseguirem trabalhos como modelos (só pra adiantar a história, elas desistiram de ser modelo).  
Só me lembro claramente, que depois dessa visita ao estúdio de fotos, elas me ligaram apavoradas, porque o fotógrafo tentou fazer fotos “indevidas” e quando uma delas se assustou ele chegou a trancá-la, num dos cômodos que usava para fazer os ensaios, até que ela acalmasse.

Falei para elas darem queixa, que deveriam fazer algo para impedir que fizesse com outras, mas não adiantou... O medo era tanto que elas preferiram o silêncio (mulher quando faz silêncio é porque foi grave mesmo).

Já que não dava pra ir a polícia sem que elas tivessem dispostas a denunciar, resolvi procurar um jornalista, que ficou famoso na Rede Globo depois de uma “reportagem denuncia”. O tal jornalista me disse que pra fazer essa pauta precisaria de um indício ou prova (se o relato de minhas amigas não era um indício, então o erro deve ser do dicionário).

Bom, mas como eu estava louco pra virar repórter investigativo, o que fiz?

Candidatei-me a um estágio no estúdio do tal fotografo e consegui de imediato.

Lá achei que podia aproveitar a “investigação” pra aprender algo sobre fotografias e talvez até usar uns equipamentos dele, mas eu só servia mesmo como “Office boy”. Fazia ligações, ia à rua fazer entregas, comprar coisas, enfim... Boy!

Fiquei trabalhando de graça lá por duas semanas e desisti. Infelizmente por causa de minha pouca experiência na época e falta de habilidade naquele tipo de situação, não consegui nada que pudesse servir de prova ou de indício.

A verdade é que eu sabia que ele era culpado e que fiquei com medo de falhar. Era um risco pra mim se ele descobrisse o que eu estava realmente fazendo lá... E com minha super habilidade tanto pra “Office boy” quanto pra repórter investigativo, se eu não saísse, seria demitido em breve (ou coisa pior. Vai saber...).

Em março de 1999 um inquérito policial contra o fotografo tarado foi aberto após o registro de ocorrência acusando de ter praticado "atos libidinosos diversos de conjunção carnal" com menores. Ele fugiu, mas foi capturado e preso em 2001 em Belém, no Pará.
Se aquele repórter tivesse prestado atenção nos indícios que ofereci, além de salvar várias menininhas e virar herói, teria ganhado uma promoção! 

Bobo... Bem feito pra ele! 

FICÇÃO - "RADICAL"


ELA - Oi querido! Estava passando aqui perto e resolvi passar pra fazer uma surpresa!

ELE - É... Foi mesmo uma surpresa.

ELA - O que foi? Não gostou?

ELE - Não... Sim! Só fiquei surpreso... Vem, entra.

ELA - Ahh, bom... Achei que não ia convidar... Que discos são esses que ia colocar?

ELE - Hãã... Discos?

ELA - É... Esses que está tentando esconder aí. Deixa eu ver... Credo!!!

ELE - Não é o que você está pensando!

ELA - ... Macília e Astodolfo?! Você gosta disso?!

ELE - Não... Estava tentando cometer suicídio, mas fiquei na dúvida se colocava esse aí, um do Fernando e Sorocaba ou uma dessas que toca no que chamam de “baile funk”.

ELA - Nossa!Calma! Vem cá... Esquece esses discos de lado. Me fala... O que aconteceu?

ELE - Aderi a práticas de “sado-maso”.

ELA - Se está fazendo piada é porque desta vez foi sério mesmo, hein? Mas ainda bem que cheguei antes de você cometer essa sandice.

ELE - O pior é tentar o suicídio e não morrer depois.

ELA - Pois é, ta vendo? Ainda podia acabar vegetando com alguma lesão cerebral.

ELE - Ah, mas eu sou prevenido! Se eu visse que algo daria errado tomava esse copo de soda.

ELA - Soda cáustica?!

ELE - Não... Soda limonada. Sou alérgico a limão.

ELA - Você é doido!

ELE - Doido não! Prevenido!

ELA - Agora fiquei com medo de ir embora e te deixar sozinho.

ELE - Foi só uma crise... Já passou!

ELA - Espero que sim... Nunca vi você arriscar sua vida desse jeito. Sempre foi sensato, um exemplo de saúde e equilíbrio.

ELE - É... Tem razão... Foi uma bobagem de momento. Desculpe!

ELA - Imagina! Mas o que acha de fazermos algo leve e relaxante?

ELE - O que sugere?

ELA - Humm... Pode ser asa delta ou bungee jump. O que acha?


FIM

quinta-feira, 31 de março de 2011

OPINIÃO - "MENINAS NÃO FAZEM SEXO DE DIA"

Estamos cansados de saber que sexo é algo natural e saudável, portanto normal é querer (e fazer) sexo, e não ao contrário, embora algumas pessoas pensem assim... Coitados!

O curioso é que, nós humanos, aprendemos a fazer escondido, como se fosse algo errado. Ok, tudo bem, não estou dizendo que tenho essa fantasia de fazer com todo mundo olhando ou fazendo campanha pra que o sexo seja feito, digamos, publicamente.
Somos uma democracia, então tudo bem se alguém é a favor disso, mas percebo que não precisamos ir tão além do direito ao básico, sem sermos ameaçados pelo fogo do inferno, que nos persegue, nos censura e nos intimida.

Não sou realmente chegado a um sexo exótico, como gente que transa até com árvores, bichos e extra-terrestres, se esses estiverem entre nós. Gosto do básico como o clássico “papai e mamãe” e um “69” de vez em quando, porque também não sou de ferro. Mas acho que swing é algo que poderia me matar de overdose, então prefiro estar vivo pra continuar com o básico.

Sexo é saudável, dá um prazer imenso e até ajuda a emagrecer, então realmente ainda não entendo porque tanto medo dele por aí... Claro, com alguns cuidados podemos evitar de ter que usar os inúteis planos de saúde, portanto usem camisinha pra não ter que usar o Procon depois. Isso sem falar que também pode aparecer uma visita permanente e que vai aumentar o seu orçamento consideravelmente... Cuidado! Use camisinha pra também não ter que gastar com fraldas... Ou ter que (eca!)trocá-las! 

Uma coisa que descobri, acho que fui eu, nunca ouvi ninguém falar disso, mas existe uma síndrome que atinge somente os pais, que acham que filhos (na verdade as filhas) se só saírem durante o dia, não farão sexo. Então vou contar dois segredos que vão abalar as famílias do mundo... Uma é que não existe Papai Noel... Bom, tudo bem, talvez ele exista, mas a segunda coisa que eu tenho pra contar, é certa... Meninas fazem sexo de dia (e se puderem, a noite também)!

Sei que pais não fazem sexo e por isso não querem que seu filhos (filhas), nascidos numa plantação de repolhos, façam algo tão ameaçador e transformador como o sexo. Eu, que sou meio bobo, acredito que o melhor presente para filhas adolescentes animadinhas é o diálogo sincero (e camisinhas com gosto de morango... Elas adoram), então esqueçam essa coisa de Papai Noel!

MEMÓRIA - "O PIRATA DOS 7 POMARES"


Uma das melhores coisas da infância é pegar fruta no pé... Do vizinho... Sem ele saber, claro!

No meu sítio tinham muitas árvores que davam frutas, mas o legal mesmo era invadir o terreno alheio atrás delas. Era aventura garantida!

Eu e meu parceiro de pilhagem nos sentíamos como num dos antigos filmes de Errol Flynn, e mesmo sem um mapa com um “X” ou de um navio pirata, caçávamos tesouros que davam em árvores.

Manga era no território do Lobisomem, no terreno atrás de casa e subindo o morro, nunca o vimos na verdade, porque só íamos lá com o sol bem brilhante, então era mais seguro.

Caqui era no vizinho ao lado, onde a nossa invasão era mais tranqüila, afinal não tinha lobisomem por lá. E com um terreno plano e mais iluminado, ficava muito mais fácil, então podíamos escolher com mais calma, pegar os caquis mais graúdos, de vermelho bem vivo e dar no pé.   

Em nossas pilhagens conseguimos juntar riquezas diversas. Além das já citadas também saboreamos jambos, carambolas, abius, cajás, cirigüelas,jacas, sapotis e outras pérolas! Vizinho e pomar era o que não faltava na região.

Um dia, eu e meu marujo, resolvemos atacar o vizinho da frente, o único que não tínhamos invadido ainda e único que não tinha um pomar, mas um canavial!

Passamos pela cerca de arame farpado, atravessamos umas moitas de capim e chegamos ao nosso alvo. Não entendia porque nunca havíamos tido a idéia de pegar cana, afinal é uma delícia também... Mas a resposta chegaria rápido.

Ao contrário das frutas, que é só arrancar e correr sem fazer muito alarde, a cana tem as folhas que fazem um barulho danado, tem que ser cortada com facão, o que já soma mais barulho e torna o processo mais complicado e demorado. Não é simplesmente tirar de um galho. Isso sem falar que carregá-la era outro problema, já que a cana é comprida (na época devia ser até maior que nossa altura) e pouco prática de se carregar numa eventual fuga. 

Resumindo: Fomos pegos com a mão na massa, ou melhor, na cana.

O dono nos pegou porque ouviu o barulho e foi investigar. Foi nossa primeira captura como piratas e achamos que o dono do canavial nos faria andar na prancha e na pior das hipóteses, contar aos nossos pais... Isso sim seria o fim de nossa reputação!

Sem muitas alternativas pedimos desculpas e esticamos o braço para entregar a cana roubada e ele disse: - Podem levar!

Não levamos... Afinal que graça tinha levar com autorização?   

FICÇÃO - "SEM INTERVALOS"


Inesquecível... Ela abriu a porta e entrou. Era uma visão do paraíso! Linda, voluptuosa e imponente!

Acendeu a luz do abajur, deu mais alguns passos a frente e ligou uma luminária com uma cúpula de vidro mesclado em tons de vermelho alaranjado. Por fim temperou o ambiente com o som de Joe Cocker interpretando You Can Leave Your Hat On e seguiu com andar decidido, olhar seguro e sorriso de Monalisa.

Senti meu corpo paralisado com aquela visão, diante daquela escultura viva que exalava de pura sedução. Só de imaginar o que viria a seguir comecei a suar. Fiquei sem saber se aquela visão incendiava todo o quarto, ou se as brasas surgiam só dentro de mim.

Não tirei o olho dela, por medo de perder algum detalhe. Acompanhei quando ela pegou um bombom e o levou à boca em câmera lenta. Seus lábios cor de cereja brilhavam em contraste com o marrom opaco do chocolate. Logo em seguida ela levou o dedo sujo com o doce de volta a boca, tocou os lábios e o limpou com a língua, que “abraçou” o dedo, chupando-o, da base até ponta.

Sem intervalos ela seguiu adiante e levou a mão até seu decote. Pinçou o zíper da blusa com seus dedos e foi descendo lentamente, revelando suas formas. Sua pele branca brilhava e contrastava com um lindo sutiã rendado e preto. Ela deixou a blusa cair “displicentemente” ao chão, enquanto a outra mão soltou o cinto da calça. Repetindo o gesto feito na blusa, desceu o zíper da calça, só que ainda mais devagar... Nessa hora quase parei de respirar!

A calcinha combinando com o sutiã tinha um lacinho estratégico e uma cinta liga, que ela tirou com tanta habilidade que nem vi sair. Parecia mágica. Ela era sensacional! Não desviei os olhos dela nem um segundo. Seus movimentos eram hipnóticos e fatais.

Só de calcinha e sutiã, ela dançou fazendo movimentos sexis e ousados. Gestos de uma de suas mãos simulavam masturbação e penetração, com a outra ela passeava pelo relevo de seu próprio corpo. No rosto expressava um prazer intenso que refletia nos olhos, que reviravam enquanto ela se acariciava e gemia.

Por fim ela tirou o sutiã e escondeu os seios somente com o braço e com a outra mão seguiu em direção ao laço que soltava a calcinha... 

... Infelizmente acabou a luz justo nessa hora e não vi o final do filme.