domingo, 31 de julho de 2011

OPINIÃO - "O URSO, O PAPAGAIO E EU, O BURRO"

Por favor, sou meio burro, então gostaria que alguém pudesse me explicar sobre alguns fatos que já me incomodam a muito tempo e como até hoje não consigo ver sentido, precisarei de ajuda para entender.

Se uma pessoa é ativista pelos direitos dos animais deve ser porque ela gosta e quer o bem desses animais. Estou certo até aqui?

Em 2006 Ativistas dos direitos dos animais pediram o sacrifício de Knut, um ursinho polar nascido num zoológico da Alemanha e rejeitado pela mãe. Por ter sido rejeitado foi criado por um tratador, funcionário do zoológico o que alguns acham desumano (?!) e por isso querem mata-lo!

Knut cresceu com saúde, graças aos funcionários do zôo que o alimentaram com uma mamadeira, deixaram o filhote dormir ao lado deles na cama e até tocaram músicas de Elvis Presley para ele. No entanto, os ativistas disseram que o animal ficaria extremamente apegado aos tratadores humanos, que não conseguiria se separar deles quando ficasse grande e muito perigoso (não tanto quantos os ativistas, claro), que nunca conseguiria se entrosar com outros ursos e por todas essas “razões” o correto seria sacrificar o filhote.

Sei que é fácil entender isso e que faz todo sentido os ativistas dos direitos dos animais quererem matar os próprios, mas minha mente limitada não alcança tamanha evolução de pensamento... Eu adoro, amo animais, então tenho que matá-los? É isso? Alguém pode me esclarecer?

Fico com vergonha de admitir, mas não foi o único caso que me deixou confuso e com essa sensação de estupidez no ar, por isso vou contar mais uma situação... Essa em território tupiniquim.

Em julho de 2008, depois de uma denúncia anônima, feita por algum vizinho camarada, uma senhora de 73 anos moradora de Belo Horizonte teve sua vida transformada num inferno pelo IBAMA, porque tinha em sua casa um... Papagaio!

Os próprios fiscais do órgão em questão comprovaram os bons cuidados com a ave, que era bem tratada e alimentada pela criminosa de alta periculosidade, com 73 anos, hipertensa e cardíaca.

Entendo que está na lei, que sem devida autorização do IBAMA não se pode criar espécimes da fauna silvestre e blá, blá, blá... Mas como nem a lei e nem os fiscais são burros, pois o burro sou eu, então me respondam: Por que diabos não dão a tal autorização pra tal senhora de 73 anos, aposentada, pobre, hipertensa e cardíaca?

Esse papagaio deve ser muito importante mesmo... A Amazônia diminui de tamanho todos os dias, de forma ilegal, provocando morte de vários animais (incluindo papagaios), colaborando com o aquecimento global, acabando com territórios do tamanho de cidades ou mesmo do tamanho de paises inteiros etc. Enquanto existir idosas pondo a civilização em risco, os dedicados e inteligentes vigilantes da ordem e da lei estarão sempre alertas! Azar dos pobres papagaios.

Bom, melhor eu ir antes que ativistas e fiscais resolvam me sacrificar!

MEMÓRIA - "PRIMEIRA PÁGINA"

Na época de faculdade eu era um romântico e achava que todos os estudantes seriam engajados e fariam de tudo para se aprimorarem e se tornarem melhores profissionais, mesmo que para isso fossem obrigados a matar algumas aulas.

É... Matavam aulas sim, mas para fumar maconha.

Era 1995 e eu estava no segundo período do curso de comunicação social, sonhando em ser um jornalista do Washington Post e só pensava em conseguir uma grande oportunidade... Em março daquele ano ela surgiu.

Haveria um grande encontro no Centro Cultural Banco do Brasil, para o lançamento de um importante projeto cultural e eu soube na hora que aquela seria a grande chance de ganhar meu Pulitzer.

Tentei arregimentar uma turma para ir comigo cobrir o evento, mas as aulas teóricas (e fumar maconha, claro) eram mais importantes, então fui sozinho para o centro da cidade.

Cheguei cedo, mas o prédio já estava isolado por um cerco policial, afinal até o presidente Fernando Henrique estaria presente. Mesmo portando somente uma máquina fotográfica amadora e sem uma credencial que justificasse minha presença ali, consegui permanecer próximo ao prédio. Outro isolamento foi feito e por eu ter chegado cedo consegui ficar entre um isolamento e outro, o que no meu caso era um privilégio.

Os ilustres participantes que dariam aval ao projeto começaram a chegar, entre eles Ziraldo e Pelé, todos devidamente registrados pelo “clic” de minha humilde câmera amadora.

Por fim chega o ônibus com o presidente e eu ali, registrando tudo ao lado dos jornalistas (de verdade) e realmente credenciados.

Com todos já dentro do prédio e com a reunião em curso quase fui embora, mas ao observar uma manifestação se aproximando farejei um furo jornalístico e resolvi ficar.

Meu faro estava certo e aconteceu um grande conflito entre manifestantes e policiais. Apesar da minha memória de peixe, me lembro bem das bombas de gás atiradas para todos os lados e do fato de eu correr da fumaça tóxica, parar, virar para fazer uma foto, voltar a correr, parar novamente para outra foto e repetir esta seqüência ainda mais duas vezes.

Conclusão: Matei aula, mas aprendi muito, fiz ótimas fotos e ainda consegui publicá-las na primeira página de um jornal carioca.

... Pena que publicaram com meu nome escrito errado.

FICÇÃO - "A PROSTITUTA E O PADRE"


INT/DIA - INTERIOR DE UMA IGREJA.

MARIA – Perdoe-me Padre!

PADRE – Desta vez, não!

MARIA – Sabe que não foi minha culpa.

PADRE – Você não tem saída! ... Pecadora!

MARIA –... Diabos!

PADRE – Como?!

MARIA – Desculpe Padre!

PADRE – Já disse que não! Como é que você marca com outro, sabendo que era meu dia? Cansou de mim, me esqueceu? ...Confessa Maria!

MARIA – Confesso... Mas não vai me dar penitência por isso, porque a culpa é do Bispo!

PADRE – Do Bispo?!

MARIA – É... Aquele da Tv... Paga beem... Precisa ver.

PADRE – Ai meu Deus! Aquele bispo?! Ficou maluca? O que deu em você?

MARIA – Você quer dizer o que dei para ele?

PADRE – Sem detalhes!

MARIA – Ok...

PADRE –... Ta bom... Sei que não pode deixar esses fatos aprisionados na sua alma torturada pelo pecado... Pode contar os detalhes. Se quiser... Claro.

MARIA – Ah...Você sabe... Faço de tudo... Menos penetração vaginal! Meu maior patrimônio é minha virgindade. Estou me guardando para o “príncipe encantado”.

PADRE – Depois de beijar tantos sapos ainda acredita que algum deles vai virar príncipe?

MARIA – Você quer dizer que se acha um sapo?

PADRE – Outra gracinha dessas e vai passar o mês rezando o “Pai Nosso”.

MARIA – Não!!! Desculpe!

PADRE – Já disse Maria... Não tem perdão!

MARIA – Tá... Então o que quer que eu faça? ...Vamos fazer o seguinte: Eu faço de graça hoje, e você me perdoa... Combinado? O que acha?

PADRE – Hummm...

MARIA – Posso raspar ...

PADRE –... Tem uniforme de colégio?

MARIA – Gosta de uma menininha, Né? Confessa!

PADRE – Querida, o padre aqui sou eu!

MARIA – Ta bom... Não vou ganhar mais por discutir isso, mas... Se preferir algo, digamos, mais”radical”, é só uma taxa extra.

PADRE – Tipo o que?

MARIA – Não se preocupe, é só uma taxa simbólica... Nada que um dízimo não possa cobrir.

PADRE – Eu estava me referindo ao “radical”.

MARIA – Ahh... Algemas, chicote, essas coisas... Ficaria perfeito para você.

PADRE – Esqueça! Isso não funciona para mim.

MARIA – Bom... Melhor assim, no fundo detesto essas vulgaridades.

PADRE – Você acha que não é vulgar só por causa disso?

MARIA – E você acha que vai para o céu?

PADRE – Não sei... Mas nada pode ser pior que viver neste inferno de vida.

MARIA – Cada um carrega a cruz que merece... Vai querer ou não o tempo está passando... E hoje é “bandeira 2”!

FIM

quinta-feira, 30 de junho de 2011

OPINIÃO - "MEUS DELÍRIOS DE POLÍTICA"


Eu achava que detestava política, porque não me sinto atraído por assuntos que envolvam questões do tipo, mas percebi que essa minha implicância se deve ao descaso de nossos egocêntricos candidatos.

Outro dia, num esforço atroz pra lembrar do nome dos ilustres, vieram a minha mente palavras que lembravam o nome de uma dupla sertaneja, algo como: “Coelhinho da Páscoa e Bicho Papão”!

É, reconheço que política não seja um assunto que eu domine... Mas mesmo com toda minha vergonhosa ignorância no assunto e esquecimentos que não tem perdão, arrisco imaginar soluções para um melhor funcionamento de nossa “democracia” (assim mesmo entre aspas, porque não acredito nessa suposta democracia, baseada na ignorância do povo).

Acredito que os políticos, assim que tomam posses de seus cargos deveriam perder seus direitos civis... Isso mesmo, não estou brincando. A liberdade deles, e da família, seria resumida aos bens e usos de serviços públicos. Nada mais de clínicas de saúdes particulares, restaurantes finos, colégios ou faculdades particulares e caros. Nada de ostentações sustentadas pelo dinheiro do contribuinte.

Nosso dinheiro pagaria, talvez, um salário justo (talvez também, pois não merecem tanto) e de resto, como sustentamos o serviço público, nada mais justo (para nós) que os nossos políticos se servissem somente dos mesmo benefícios que nós mortais. Sendo assim, tenho certeza de que, rapidamente, teríamos uma melhora significativa em todo sistema público de educação, saúde e todo o resto!



Já pensou que simpático encontrar o prefeito na reunião de pais da escola pública, falando de seu filho e coleguinhas matriculados ali? Ou ainda encontrar o governador e sua senhora na fila do SUS pra tratarem de uma violenta gripe... Nossa! Seria incrível! Nosso sistema público finalmente teria qualidade de instituições particulares, com todo recurso e estruturas necessárias para um bom atendimento!  

Claro que não podemos esperar que os digníssimos se submetam a tanta humilhação. Afinal, humilhação é direito só do povo (considerando que políticos e povo são coisas diferentes).

Mas um amigo vai mais longe, e acha que políticos nem deviam ter salário, que o trabalho deles deveria ser voluntário! É... Melhor parar de falar ou vão querer jogar eu e meu amigo num hospício do sistema público... Credo!

MEMÓRIA - "ARTE SEQÜENCIAL"

Eu tinha 24 anos e já havia terminado a escola a cinco anos, em 1989, e desde então só fazia cursos... Curso de histórias em quadrinhos, de desenho, de aquarela, roteiro e por aí vai (nada prático ou que fosse considerado como trabalho). Mas foi em meados de 1994, voltando de um curso de artes gráficas que tudo mudou! Peguei um ônibus errado e tive de descer no meio do caminho para pegar outro. Saltei bem em frente a uma faculdade que anunciava em letras garrafais: ”Vestibular de meio de ano – Inscrições abertas”.

Curioso entrei e fui pedir informações na secretaria onde uma moça muito competente e prestativa me deu uns papéis e sumiu por uma porta (de onde não voltou). Eram papéis de inscrição (e não de informações, como eu esperava), então para passar o tempo resolvi preenchê-lo e ao fim, por fim, aparece alguém, outra moça, pra quem entrego minha ficha devidamente preenchida, mas ainda sem minhas informações. Ameacei não entregar a ficha se ao menos não me dissesse quando seriam as provas. “- Depois de amanhã”, disse ela já me entregando uma outra folha com regulamentos da prova. Quando fui tirar uma dúvida, ela já havia sumido por aquela porta misteriosa.

Com dois dias pra me preparar para a prova do vestibular, fiz o óbvio, separei todos os antigos livros da escola que tinha em casa e coloquei-os todos sobre a mesa. Depois liguei a tv, peguei um filme na pilha de VHS’s e fiz uma maratona digna de um cinéfilo durante as 48hs que se seguiram (com pausa para ir ao banheiro, dormir e comer, logicamente). Os livros, ali, me fizeram companhia sempre com aquele silêncio austero que lhes é peculiar, até o último momento.

Não contei a ninguém que faria a tal prova, afinal nem ia passar mesmo. Já não estudava nada semelhante ao que pediam para o concurso, desde que saí da escola 5 anos antes, e só tinha dois dias pra rever uns dez anos de matéria... Sem chances! Iria fazer por pura curiosidade (ou puro masoquismo, sei lá).

No dia da prova eu estava tranqüilo, não tinha nada a perder, só aquela manhã mesmo, mas como era uma questão de honra, acordei a contra gosto e fui pro matadouro.

Não foi ruim como eu esperava. Foi como marcar o bilhete da loteria. Ao meu lado um menino marcava as lacunas formando um desenho. Era uma questão de sorte pela estética. Eu tentei algo diferente e tentei a sorte pela razão, se é que isso é compatível, e li cada questão pra ver o que eu sabia. De fato não lembrava de nada, mas ao menos tentei.

Dias depois fui pegar meu resultado (não sei pra que, não passaria mesmo). E pra minha surpresa... PASSEI!!! Nossa, que coisa... Será que dizer que o fato de ter feito o concurso numa faculdade particular, faz diferença? Não importa, pra mim não fez!

Me formei em jornalismo!

... E agora trabalho com histórias em quadrinhos.

FICÇÃO - "FUNDO DO POÇO"

Atila era um ser tão desprezível que sua alma foi rejeitado até no inferno. “- Não quero concorrência! Fora daqui!” Disse Lúcifer barrando aquele espírito que já era podre antes mesmo da decomposição de seu corpo físico. No céu nem arriscou entrar, pois sabia que os anjos que guardam o portão do paraíso o mandariam para o inferno.

Não tendo para onde ir, voltou ao cemitério onde fora enterrado e fez reflexões pessoais sobre sua última morada. “- Enterrado numa cova rasa! Se ainda fosse naquele mausoléu triplex. Aquilo sim é vida... Ou morte”. Saber que depois de dar duro em tantos golpes, a sua vida toda, para acabar naquela situação era a maior humilhação que podia sofrer.

Como ser golpista e mau-caráter era de sua natureza, nem aquela situação modificou seus impulsos e lá foi ele tentar um golpe em algum morador daquela necrópole. Mas dar golpe em quem? Para ganhar o que?

Depois de descobrir que do mundo nada se leva, descobriu que do outro lado também nada se ganha, com ou sem golpes.

Olhou em volta atrás de algum fantasma fêmea que pudesse fazê-lo se sentir vivo, mesmo que tudo nele tivesse morto. Só não chorou em sua melancólica realidade, porque as lágrimas também não existiam mais. Como consolo, choveu!

Graças a água da chuva uma plantinha brotou na terra que cobria seu corpo. Atila sorriu e pensou que aquilo devia ser sinal de boa sorte ou que era um sinal da natureza pra mostrar solidariedade.

Era um pé de urtiga, mas logo secou.

Certo dia um simpático vira-latas se aproximou, abanou o rabinho com alegria, como costumam fazer quando estão alegres. Atila sorriu mais uma vez: “- Está me vendo né cachorrinho? Vem cá! Me faz companhia!” O cachorro abanou ainda mais o rabinho, deu algumas voltas no espaço de terra onde Atila estava enterrado, parou, cheirou o chão, se aproximou da planta seca com certo receio, levantou a perninha e fez xixi.

Atila quis morrer de raiva, mas já estava morto!    

segunda-feira, 30 de maio de 2011

OPINIÃO - "O CARINHOSO TROTE UNIVERSITÁRIO"


Passar pra faculdade é um evento marcante na vida de qualquer pessoa... E marca mesmo! Entre os mimos mais marcantes, que os novos alunos recebem, temos: Ferimentos, afogamentos, humilhações e até queimaduras provocadas pelo calor humano! Comovente!

A festa do trote promove a integração e a cordialidade entre alunos veteranos e os calouros. Estão pensando que o início da vida acadêmica se resume ao esforço para ser um profissional competente e respeitado? Ledo engano! O princípio da vida acadêmica é recheado de risos (bom, talvez nem tanto, mas deve ser timidez dos calouros) e caras pintadas (a dos calouros, só, pois os veteranos são pessoas sérias e não tem comportamentos imaturos).

Nessa celebração também encontramos palavras de ordem e manifestações de carinho (dos veteranos), que chegam a levar alguns calouros as lágrimas e alguns até ao hospital (deve ser por causa da emoção).

Acho tão nobre esse ritual, uma prova de maturidade e caráter tão excepcional, que fico surpreso comigo mesmo de ter tentado fugir de passar por essa manifestação calorosa e solidária.

A celebração ritualizada pelo trote, nos dá uma idéia da qualidade dos médicos, engenheiros, advogados e outros profissionais extremamente qualificados e de caráter inquestionável, que estarão a serviço da população.

Eu estava pensando aqui... Acho que essa coisa do trote, que os veteranos (e futuros “profissionais”) aplicam nos calouros, tão importante na vida de uma pessoa, no futuro profissional dela, que acho que deveria constar em seus currículos (com fotos anexadas).

Mas, se dependesse disso, será que eu teria chances no mercado de trabalho? Afinal nunca apliquei trot... Ops, me entreguei!

Ok, ok... Admito que até me orgulho disso (que coisa feia, né?)!

Não me resta outra coisa senão pedir perdão por essa falha de caráter.

MEMÓRIA - "O TEMPO, O VENTO E AS MANGAS"

Eu ainda morava no meu sítio em Guaratiba, região onde, antes do famoso Projac, a Rede Globo usava para gravar algumas de suas produções.

Era período das férias escolares. Devia ser fim de 1984 ou início de 85, quando gravaram por lá a mini-série “O Tempo e o Vento”, baseada na obra homônima de Érico Veríssimo.

Não era a primeira vez que eu e meus amigos acompanhávamos a produção de algum programa, mas a diferença é que desta vez tivemos uma idéia brilhante... Vender mangas para os atores!

Saímos de casa numa manhã e começamos a juntar as mangas das árvores do meu sítio e depois subimos o morro no terreno de trás, onde havia outros tipos de manga. No fim tínhamos mais mangas do que podíamos carregar, chupamos algumas e deixamos um outro tanto para mais tarde. Selecionamos as mais bonitas e maduras, enchemos um caixote de madeira e seguimos para o local das gravações.

Acho que foi uma caminhada de uns três quilômetros a pé carregando o caixote cheio de mangas até a locação. Acho que não preciso dizer que no caminho paramos para “reabastecer” pegando algumas das mangas selecionadas para venda.

Já no meio da cidade cenográfica (vazia), sentamos e ficamos esperando que o capitão Rodrigo (Tarcísio Meira) viesse comprar uma deliciosa carlotinha, ou mesmo uma espada, se assim fosse de sua preferência.

Esperamos, esperamos, esperamos...

Mas por que diabos não aparecia ninguém naquela cidade fantasma?!

Olhei para meu amigo que já se lambuzava devorando outra manga e perguntei: “- Que dia é hoje?”

Era domigo!

Largamos a caixa com as mangas para trás e fomos para casa.

FICÇÃO - "CORNO E ENTERRADO"

Atila acordou morto... Tudo escuro a sua volta, mas o cheiro de terra não deixava dúvidas, estava sepultado!

Morto com requintes de crueldade, e Atila previa que um dia acabaria assim, pois sabia todos os motivos para estar naquela situação, mas desconhecia quem era seu assassino e sua curiosidade quase o fez ressuscitar. A verdadeira tortura era a dúvida por não saber quem tinha sido responsável por colocá-lo naquela situação.

Seu corpo apodrecia rápido e não sabia se com o cérebro prestes a se deteriorar ainda conseguiria pensar com clareza.

Todos queriam vê-lo morto. Lembrou de todas as pessoas que trapaceou, todas as mulheres que magoou e mais uma lista interminável de gente com motivo para matá-lo.

Como era muito vaidoso e egocêntrico chegou a conclusão que aquilo era impossível, pois era esperto demais para ser descoberto e morto. Mas o fato é que estava morto e não lembrava como havia acontecido.

Então, algo passou por sua cabeça: - Ah, é só um verme! Ainda bem que não é uma barata... Detesto baratas! E com isso voltou a suas especulações sobre seu destino final.

- Algo não está cheirando bem! Constatou Atila em suas divagações.

Quando achou que não teria mais surpresas, veio o choque!

- Minha mulher! - gritou ele em pensamentos, ao lembrar que sua esposa o assassinara para ficar com o vizinho, que era seu amante! - Essa não! Morri corno!

Recobrando suas lembranças se desesperou, sua reputação estava em risco, afinal tinha sido malandro em vida... Profissional! Jamais poderia ter sido enganado tão facilmente.

- É, cheguei ao fundo do poço!

No desespero procurou uma saída, uma luz no fim do túnel, mas em vão! Pensou em subornar alguém!

... Lembrou que do mundo nada se leva, nem dinheiro e nem pessoas para se subornar. - E agora? Atila sabia que não havia mais volta, então relaxou e fez sua última reflexão:

- Podiam ao menos terem me deixado trazer uma palavra cruzada!


FIM

sexta-feira, 29 de abril de 2011

OPINIÃO - "A MALDIÇÃO DA MÚMIA"

Sempre ouço a assustadora frase “quem vive de passado é museu” e o brasileiro acredita tanto nisso que faz questão de esquecer tudo, como se a história do mundo ou mesmo as pessoais, não tivessem valor algum, mas o assunto aqui não é a memória do povo não, mas a displicência com que as autoridades cuidam de verdadeiros testemunhos deixados por nossos antepassados e que agonizam em meio ao mofo do descaso.

Um caso que me impressionou muito a alguns anos foi o de uma múmia, encarcerada em um de nossos pobres museus. Curiosamente a maldição atingiu não a nós, mas a própria múmia, coitada, que sobreviveu (se é que podemos dizer assim) escondida por uns dois mil anos enterrada em algum deserto. Encontrada por algum Indiana Jones, ela estava sendo transportada para algum lugar, que não me lembro agora pra onde era, mas certamente não era pro Brasil. Para azar da pobre múmia, veio parar em território tupiniquim por engano, ainda na época do império.

Percebemos o engano, até onde sei, mas pra que desfazer o mal entendido e devolver a pobre múmia azarada e embolorada? Ficamos com ela, claro! Mas a parte mais assustadora dessa incrível jornada vivida (se é que se pode dizer assim) pela múmia, é que ela foi capaz de viver seus dois mil anos no deserto, completamente intacta, bem preservada e sem precisar de botox ou silicone. Mas foi só chegar ao Brasil, que a pobre não durou nem 200 anos e já está agonizando em umidade e mofo por todo lado.

Mas o que podíamos esperar de um país que é conhecido como “gigante adormecido”? Acho que esse gigante está é em coma profundo! Não sei se acorda mais não, mas se acordar, vai ter um trabalho danado pra se recuperar... E duvido que se recupere cem por cento. A múmia, então... Pobre múmia!

Bom, mas se nosso sistema de saúde não funciona pra nós que ainda estamos vivos, não seria pra uma múmia milenar que funcionaria, né? E olha que mesmo com todo seu tesouro, não foi capaz de manter um plano particular de saúde. Disseram que pela idade dela, não era o suficiente... E que não faziam cobertura em problemas com mofo!

E pensar que quando eu era criança queria levar o osso de dinossauro que estava no museu, de presente pro meu cachorro... Mas eu era criança, não político!

MEMÓRIA - “O BOY INVESTIGATIVO”

Em 1995 eu estava no terceiro período da faculdade de comunicação e começando a me envolver mais com fotografia. Já tinha até uma foto publicada em jornal (pequeno detalhe, com meu nome escrito errado!), mas isso é outra história.

Duas amigas minhas, acho que uma delas ainda era menor na época, foram visitar um estúdio de um fotógrafo profissional, na esperança de conseguirem trabalhos como modelos (só pra adiantar a história, elas desistiram de ser modelo).  
Só me lembro claramente, que depois dessa visita ao estúdio de fotos, elas me ligaram apavoradas, porque o fotógrafo tentou fazer fotos “indevidas” e quando uma delas se assustou ele chegou a trancá-la, num dos cômodos que usava para fazer os ensaios, até que ela acalmasse.

Falei para elas darem queixa, que deveriam fazer algo para impedir que fizesse com outras, mas não adiantou... O medo era tanto que elas preferiram o silêncio (mulher quando faz silêncio é porque foi grave mesmo).

Já que não dava pra ir a polícia sem que elas tivessem dispostas a denunciar, resolvi procurar um jornalista, que ficou famoso na Rede Globo depois de uma “reportagem denuncia”. O tal jornalista me disse que pra fazer essa pauta precisaria de um indício ou prova (se o relato de minhas amigas não era um indício, então o erro deve ser do dicionário).

Bom, mas como eu estava louco pra virar repórter investigativo, o que fiz?

Candidatei-me a um estágio no estúdio do tal fotografo e consegui de imediato.

Lá achei que podia aproveitar a “investigação” pra aprender algo sobre fotografias e talvez até usar uns equipamentos dele, mas eu só servia mesmo como “Office boy”. Fazia ligações, ia à rua fazer entregas, comprar coisas, enfim... Boy!

Fiquei trabalhando de graça lá por duas semanas e desisti. Infelizmente por causa de minha pouca experiência na época e falta de habilidade naquele tipo de situação, não consegui nada que pudesse servir de prova ou de indício.

A verdade é que eu sabia que ele era culpado e que fiquei com medo de falhar. Era um risco pra mim se ele descobrisse o que eu estava realmente fazendo lá... E com minha super habilidade tanto pra “Office boy” quanto pra repórter investigativo, se eu não saísse, seria demitido em breve (ou coisa pior. Vai saber...).

Em março de 1999 um inquérito policial contra o fotografo tarado foi aberto após o registro de ocorrência acusando de ter praticado "atos libidinosos diversos de conjunção carnal" com menores. Ele fugiu, mas foi capturado e preso em 2001 em Belém, no Pará.
Se aquele repórter tivesse prestado atenção nos indícios que ofereci, além de salvar várias menininhas e virar herói, teria ganhado uma promoção! 

Bobo... Bem feito pra ele! 

FICÇÃO - "RADICAL"


ELA - Oi querido! Estava passando aqui perto e resolvi passar pra fazer uma surpresa!

ELE - É... Foi mesmo uma surpresa.

ELA - O que foi? Não gostou?

ELE - Não... Sim! Só fiquei surpreso... Vem, entra.

ELA - Ahh, bom... Achei que não ia convidar... Que discos são esses que ia colocar?

ELE - Hãã... Discos?

ELA - É... Esses que está tentando esconder aí. Deixa eu ver... Credo!!!

ELE - Não é o que você está pensando!

ELA - ... Macília e Astodolfo?! Você gosta disso?!

ELE - Não... Estava tentando cometer suicídio, mas fiquei na dúvida se colocava esse aí, um do Fernando e Sorocaba ou uma dessas que toca no que chamam de “baile funk”.

ELA - Nossa!Calma! Vem cá... Esquece esses discos de lado. Me fala... O que aconteceu?

ELE - Aderi a práticas de “sado-maso”.

ELA - Se está fazendo piada é porque desta vez foi sério mesmo, hein? Mas ainda bem que cheguei antes de você cometer essa sandice.

ELE - O pior é tentar o suicídio e não morrer depois.

ELA - Pois é, ta vendo? Ainda podia acabar vegetando com alguma lesão cerebral.

ELE - Ah, mas eu sou prevenido! Se eu visse que algo daria errado tomava esse copo de soda.

ELA - Soda cáustica?!

ELE - Não... Soda limonada. Sou alérgico a limão.

ELA - Você é doido!

ELE - Doido não! Prevenido!

ELA - Agora fiquei com medo de ir embora e te deixar sozinho.

ELE - Foi só uma crise... Já passou!

ELA - Espero que sim... Nunca vi você arriscar sua vida desse jeito. Sempre foi sensato, um exemplo de saúde e equilíbrio.

ELE - É... Tem razão... Foi uma bobagem de momento. Desculpe!

ELA - Imagina! Mas o que acha de fazermos algo leve e relaxante?

ELE - O que sugere?

ELA - Humm... Pode ser asa delta ou bungee jump. O que acha?


FIM

quinta-feira, 31 de março de 2011

OPINIÃO - "MENINAS NÃO FAZEM SEXO DE DIA"

Estamos cansados de saber que sexo é algo natural e saudável, portanto normal é querer (e fazer) sexo, e não ao contrário, embora algumas pessoas pensem assim... Coitados!

O curioso é que, nós humanos, aprendemos a fazer escondido, como se fosse algo errado. Ok, tudo bem, não estou dizendo que tenho essa fantasia de fazer com todo mundo olhando ou fazendo campanha pra que o sexo seja feito, digamos, publicamente.
Somos uma democracia, então tudo bem se alguém é a favor disso, mas percebo que não precisamos ir tão além do direito ao básico, sem sermos ameaçados pelo fogo do inferno, que nos persegue, nos censura e nos intimida.

Não sou realmente chegado a um sexo exótico, como gente que transa até com árvores, bichos e extra-terrestres, se esses estiverem entre nós. Gosto do básico como o clássico “papai e mamãe” e um “69” de vez em quando, porque também não sou de ferro. Mas acho que swing é algo que poderia me matar de overdose, então prefiro estar vivo pra continuar com o básico.

Sexo é saudável, dá um prazer imenso e até ajuda a emagrecer, então realmente ainda não entendo porque tanto medo dele por aí... Claro, com alguns cuidados podemos evitar de ter que usar os inúteis planos de saúde, portanto usem camisinha pra não ter que usar o Procon depois. Isso sem falar que também pode aparecer uma visita permanente e que vai aumentar o seu orçamento consideravelmente... Cuidado! Use camisinha pra também não ter que gastar com fraldas... Ou ter que (eca!)trocá-las! 

Uma coisa que descobri, acho que fui eu, nunca ouvi ninguém falar disso, mas existe uma síndrome que atinge somente os pais, que acham que filhos (na verdade as filhas) se só saírem durante o dia, não farão sexo. Então vou contar dois segredos que vão abalar as famílias do mundo... Uma é que não existe Papai Noel... Bom, tudo bem, talvez ele exista, mas a segunda coisa que eu tenho pra contar, é certa... Meninas fazem sexo de dia (e se puderem, a noite também)!

Sei que pais não fazem sexo e por isso não querem que seu filhos (filhas), nascidos numa plantação de repolhos, façam algo tão ameaçador e transformador como o sexo. Eu, que sou meio bobo, acredito que o melhor presente para filhas adolescentes animadinhas é o diálogo sincero (e camisinhas com gosto de morango... Elas adoram), então esqueçam essa coisa de Papai Noel!

MEMÓRIA - "O PIRATA DOS 7 POMARES"


Uma das melhores coisas da infância é pegar fruta no pé... Do vizinho... Sem ele saber, claro!

No meu sítio tinham muitas árvores que davam frutas, mas o legal mesmo era invadir o terreno alheio atrás delas. Era aventura garantida!

Eu e meu parceiro de pilhagem nos sentíamos como num dos antigos filmes de Errol Flynn, e mesmo sem um mapa com um “X” ou de um navio pirata, caçávamos tesouros que davam em árvores.

Manga era no território do Lobisomem, no terreno atrás de casa e subindo o morro, nunca o vimos na verdade, porque só íamos lá com o sol bem brilhante, então era mais seguro.

Caqui era no vizinho ao lado, onde a nossa invasão era mais tranqüila, afinal não tinha lobisomem por lá. E com um terreno plano e mais iluminado, ficava muito mais fácil, então podíamos escolher com mais calma, pegar os caquis mais graúdos, de vermelho bem vivo e dar no pé.   

Em nossas pilhagens conseguimos juntar riquezas diversas. Além das já citadas também saboreamos jambos, carambolas, abius, cajás, cirigüelas,jacas, sapotis e outras pérolas! Vizinho e pomar era o que não faltava na região.

Um dia, eu e meu marujo, resolvemos atacar o vizinho da frente, o único que não tínhamos invadido ainda e único que não tinha um pomar, mas um canavial!

Passamos pela cerca de arame farpado, atravessamos umas moitas de capim e chegamos ao nosso alvo. Não entendia porque nunca havíamos tido a idéia de pegar cana, afinal é uma delícia também... Mas a resposta chegaria rápido.

Ao contrário das frutas, que é só arrancar e correr sem fazer muito alarde, a cana tem as folhas que fazem um barulho danado, tem que ser cortada com facão, o que já soma mais barulho e torna o processo mais complicado e demorado. Não é simplesmente tirar de um galho. Isso sem falar que carregá-la era outro problema, já que a cana é comprida (na época devia ser até maior que nossa altura) e pouco prática de se carregar numa eventual fuga. 

Resumindo: Fomos pegos com a mão na massa, ou melhor, na cana.

O dono nos pegou porque ouviu o barulho e foi investigar. Foi nossa primeira captura como piratas e achamos que o dono do canavial nos faria andar na prancha e na pior das hipóteses, contar aos nossos pais... Isso sim seria o fim de nossa reputação!

Sem muitas alternativas pedimos desculpas e esticamos o braço para entregar a cana roubada e ele disse: - Podem levar!

Não levamos... Afinal que graça tinha levar com autorização?   

FICÇÃO - "SEM INTERVALOS"


Inesquecível... Ela abriu a porta e entrou. Era uma visão do paraíso! Linda, voluptuosa e imponente!

Acendeu a luz do abajur, deu mais alguns passos a frente e ligou uma luminária com uma cúpula de vidro mesclado em tons de vermelho alaranjado. Por fim temperou o ambiente com o som de Joe Cocker interpretando You Can Leave Your Hat On e seguiu com andar decidido, olhar seguro e sorriso de Monalisa.

Senti meu corpo paralisado com aquela visão, diante daquela escultura viva que exalava de pura sedução. Só de imaginar o que viria a seguir comecei a suar. Fiquei sem saber se aquela visão incendiava todo o quarto, ou se as brasas surgiam só dentro de mim.

Não tirei o olho dela, por medo de perder algum detalhe. Acompanhei quando ela pegou um bombom e o levou à boca em câmera lenta. Seus lábios cor de cereja brilhavam em contraste com o marrom opaco do chocolate. Logo em seguida ela levou o dedo sujo com o doce de volta a boca, tocou os lábios e o limpou com a língua, que “abraçou” o dedo, chupando-o, da base até ponta.

Sem intervalos ela seguiu adiante e levou a mão até seu decote. Pinçou o zíper da blusa com seus dedos e foi descendo lentamente, revelando suas formas. Sua pele branca brilhava e contrastava com um lindo sutiã rendado e preto. Ela deixou a blusa cair “displicentemente” ao chão, enquanto a outra mão soltou o cinto da calça. Repetindo o gesto feito na blusa, desceu o zíper da calça, só que ainda mais devagar... Nessa hora quase parei de respirar!

A calcinha combinando com o sutiã tinha um lacinho estratégico e uma cinta liga, que ela tirou com tanta habilidade que nem vi sair. Parecia mágica. Ela era sensacional! Não desviei os olhos dela nem um segundo. Seus movimentos eram hipnóticos e fatais.

Só de calcinha e sutiã, ela dançou fazendo movimentos sexis e ousados. Gestos de uma de suas mãos simulavam masturbação e penetração, com a outra ela passeava pelo relevo de seu próprio corpo. No rosto expressava um prazer intenso que refletia nos olhos, que reviravam enquanto ela se acariciava e gemia.

Por fim ela tirou o sutiã e escondeu os seios somente com o braço e com a outra mão seguiu em direção ao laço que soltava a calcinha... 

... Infelizmente acabou a luz justo nessa hora e não vi o final do filme. 

domingo, 13 de fevereiro de 2011

OPINIÃO - "LUGAR DE LIXO É NO CHÃO"


Eu não sou de acreditar em muitas coisas, acredito só em coisas possíveis de serem comprovadas, como Papai Noel, discos-voadores e casas mal assombradas. Assuntos fascinantes! Outra coisa que eu acreditava era que lugar de restos era na lata de lixo, acreditava mesmo, com fé! Não conseguia ver que a realidade era outra e estava bem ali, na frente de meus olhos... Lugar de lixo é no chão!!!

Acho que só no cinema não pode, não sei porque essa repressão lá, mas passa até um filminho avisando (pedindo) para que não deixem seus lixos espalhados pela sala de exibição. Claro que sempre existem os contestadores que lutam contra a repressão e se rebelam espalhando seus lixos pelo cinema... ABAIXO A DITADURA! ABAIXO A DITADURA! Eu que sou covarde e não quero ser rebelde e nem revolucionário, recolho quietinho meu lixo e jogo fora sem que ninguém veja, pra não passar vergonha. Uma pessoa bem educada não pode ser vista jogando lixo no lixo, até porque seria redundância.

Um dia me deixei ser apanhado num ato vergonhoso. Foi assim: Eu estava em na rodoviária da bucólica Tiradentes (MG), conversando com uma amiga e na nossa frente um ônibus esperava a hora de sair para levar seus passageiros até a cidade vizinha. De repente fomos interrompidos por um OVNI (Objeto Voador Não Identificado) que saiu de dentro do ônibus e caindo no chão, quase aos meus pés. Eu num impulso instintivo e impensado apanhei o OVNI, que era uma bolinha de papel amassado e brilhante, e joguei no cesto de lixo... Esse foi meu erro! Quando olhei na direção do ônibus vi o rapaz, que havia acabado de lançar o OVNI laminado ao chão, me fuzilando com um olhar de ódio que me deu até arrepios! E ainda avisou a namorada ao lado, sobre o absurdo e imoral ato que eu havia cometido! Que vergonha!
Os fumantes? Ah, esses são os mais fascinantes e como os animais na natureza marcam seus territórios, jogando o que sobra do cigarro fumado por onde passam. Podem reparar, não titubeiam, tiram o “cotôco” de cigarro da boca e sem nem mesmo apagar, jogam direto no chão! Fascinante!

Sei que eu, com meu saquinho portátil para por o lixo produzido por mim, sou uma gotinha no oceano e não ponho em risco, nem de perto, a tradição e os bons costumes de marcar território com sujeira particular. Então, por favor, não me condenem como o rapaz de Tiradentes... Libertas Quae Será Tamen!!!     


MEMÓRIA - “COMO MATAR UM POODLE”


Em 1995 entrei para um curso de animação... Não!!! NÃO é de animador de festa! É curso de desenhos animados e animação de objetos, para fazer parecer que coisas paradas se mexem!

Pra dar uma idéia do trabalho que dá, vou resumir: Faríamos um filme coletivo onde cada um ficaria responsável por uma vinheta de uns 20 ou 30 segundos. O meu filmete animado ficou em 23 segundos e 165 desenhos feitos a mão, um a um e coloridos com lápis de cor! Assustador, né?

Mas ok, vamos pular essa parte didática.

Assim que terminamos reunimos a turma toda pra produzir outro filme, independentemente do curso. Várias idéias de temas e títulos surgiram. Idéias bizarras não faltaram. Na hora de votar foi unânime: “Como Matar Um Poodle”!

Conseguimos fazer e terminar o projeto a tempo de exibi-lo no aclamado Festival Animamundi.

Infelizmente as coisas não saíram bem como esperávamos... Primeiro que ficamos fora do catálogo oficial porque a organização não acreditou que terminaríamos a tempo. Segundo porque as sessões de nossa obra coletiva foram muito prejudicadas por causa das fortes chuvas, com o detalhe que a projeção do nosso trabalho era numa tenda (praticamente improvisada) ao ar livre e com um equipamento de som defeituoso... Resultado: Nenhuma pessoa viu nosso filme nesses dias, nem um cachorro vira-latas sequer (que dirá poodle).

Sobrou então mais uma esperança, que era conseguir encaixá-lo na última sessão do evento, dentro do cinema onde ocorriam as sessões oficiais. Como nos avisaram que isso seria possível, convidamos família e amigos para assistirem a nossa “obra prima”!

Chega o grande momento! Cinema lotado e finalmente entra o apresentador da sessão para anunciar os filmes que passariam. Tirou um papel do bolso, leu os títulos, mas... Não citou o nosso.

O apresentador já ia saindo quando uma amiga minha perguntou em alto e bom tom: “-E o filme ‘Como Matar o Poodle’?”.

O apresentador parou, pigarreou e deu a notícia bombástica: “- Esse filme não será exibido nesta sessão.”!

Isso bastou para que todos na platéia se manifestassem, “latindo” e “uivando”. Não tinha uma pessoa sequer, que estivesse ali pra assistir a outra coisa. Deviam ser mais de 200 pessoas fazendo um barulho danado.

Do lado de fora meu amigo Bravo protestava contra nossa exclusão e numa cena digna de hollywood, rasgou sua camisa do evento debaixo de uma chuva torrencial e vestiu a do “...Poodle”. Foi histórico!

Os organizadores não tiveram outra opção senão passarem nosso filme.

“Como Matar Um Poodle” foi a única obra de animação 100% nacional e independente daquele ano.


FICÇÃO - “PAREI”


Pois é, pra mim chega! De agora em diante vou parar de pensar nos problemas dos outros e pensar mais em mim, na minha vida. Vou sair dessa antes de ser consumida pela depressão... Pior, depressão dos outros! As pessoas são muito carentes, credo! Não agüento isso mais não, quero realizar minhas fantasias, quero viajar, quero não me preocupar com nada, quero exercitar minha libido sem culpas! Essa situação em que me coloquei me angustia demais, não sei porque me meto nessas roubadas, sinceramente! Só posso estar me sabotando, claro! Mas agora chega dessa fobia que me castra a possibilidade de viver uma simples alegria. Não tenho mais medo... Hora de jogar tudo pro alto, toda esta droga! Que se danem o que vão pensar de mim, se querem achar que é inveja, que pensem, se acham que estou tendo uma crise histérica, não estou nem aí! Vou sair e fazer coisas que nunca fiz, mas sempre tive vontade, sem culpas! Afetos e emoções? Adeus! Chega desse maldito tédio de casamento pra cá, de consultório pra lá... Chega dessa rotina socio-hipócrita... Vou viver loucuras que nunca vivi, experiências sado-masoquistas e outras coisas exóticas!

...Chega dessa coisa de terapia. Não tenho mais saco! ...Olha, não vou mais poder lhe atender, seu tempo acabou... Pode pagar na recepção!


domingo, 30 de janeiro de 2011

OPINIÃO - “A CULPA É DO DICIONÁRIO"


Achei tão curioso que guardei nos meus arquivos uma matéria, de muitos anos atrás, discutindo sobre a retirada da palavra “mulato” do dicionário, por ser considerada preconceituosa e de sentido pejorativo. Outra palavra ameaçada de ser banida é “retardado”, essa a pedido de comissões pelos direitos das pessoas com deficiência (porque portador também não pode ser dito).

Também acho curioso essa coisa de “afro-brasileiro”, “afro-americano”...O que é exatamente? Minha mente limitada acha bizarro alguém que, por exemplo, comece a nascer na África e termine de nascer no Brasil. Como fazem isso? Vindo de jato? Pra mim a pessoa ou é africana, ou é brasileira, não dá pra ser as duas coisas... Ou dá??? Pra mim, a pessoa é, independente da cor da pele, um ser humano... Não é o suficiente isso? Pra que complicar?

Ok, vejamos, eu tenho origens na Alemanha, Portugal e até na África, então eu sou o que... Afro-luso-germânico-brasileiro ou Luso-germânico-afro-brasileiro, ou ainda germânico-afro-luso-brasileiro??? Tem ordem certa? É por ordem alfabética ou por ordem cronológica? Ahh... Quer saber? Ridículo isso! Sou brasileiro e pronto!

Mas voltando a essa coisa do dicionário... Outro dia fui tomado, de súbito, por uma dúvida de português e corri pro dicionário. Lá procurei pela palavra “comunidade”, e pra minha surpresa, não era sinônimo de favela, embora pareça que as pessoas resolveram que dizendo “comunidade” estarão mudando algo na vida daquelas pessoas... Será que é trocando ou eliminando as palavras que se resolve um problema? Problema não é a palavra, é a falta de atitude das pessoas, de consciência moral, cívica e por aí vai.

É, realmente, acho que essa coisa de tirar palavras que nos incomodam, ali do dicionário é uma solução de gênio! Adorei! Fiz até uma lista, vejam só algumas... Vamos tirar do dicionário a palavra ladrão, assassino, doença, corrupto (essa eu queria ver mesmo), miséria, imbecil, estupidez, fome, hipocrisia... Nossa! Se eu continuar meu dicionário ficará reduzido a umas dez ou doze páginas! Mas vai valer a pena! Vamos lá pessoal, todos arrancando páginas de seus dicionários! Vamos salvar o mundo!

Acabei de tirar a palavra pobreza do meu... Mas ué! Não fiquei rico!!! O que aconteceu? Será que é porque sou classe média? Deixa eu tentar aqui... Já, já volto pra contar se deu certo! Me esperem, ok?